Os londrinenses que são amantes de cinema, e, é claro, me refiro aos que têm condições econômicas de acesso para tal (o que é coisa para poucos), certamente apreciaram e aprovaram a recente reforma no principal cinema da cidade, o Cine Catuaí, que desde então passou a se chamar ''Multiplex Catuaí'', o qual, de cinco, passou a ter sete salas, algumas mais modernas e sofisticadas, em seu ''complexo''. Quem já teve a chance de dar uma ''passadinha'' por lá, obviamente deve ter notado a suntuosa galeria expositiva, construída logo na entrada do cine, de pôsteres, figuras e até bonecos, com imagens de alguns dos mais afamados e bem conceituados filmes e artistas da história do cinema do último século.
O fato, no mínimo curioso, que talvez nem todos tenham notado ou se dado conta, porém, é que quase todas as figuras e representações dos filmes e artistas ali expostos são norte-americanos, exceto pela presença única e solitária de um pôster de Mazzaroppi, que foi um dos ícones do saudoso cinema brasileiro dos anos 50. Ora, seria cinismo e hipocrisia de nossa parte se negássemos a implacável influência dessa máquina de produzir filmes de sucesso e repercussão mundial que é o cinema norte-americano. Aliás, salvo, não raros, casos de nacionalismo exacerbado, se há uma coisa que os norte-americanos sabem fazer, e bem, é supervalorizar suas produções tal como são, sejam elas hegemônicas ou não, não só no cinema mas em outras ''áreas'' também.
Já nós, brasileiros, por razões de ordem histórica e cultural, não desenvolvemos muito bem este costume, talvez por acharmos que não temos muito do que nos orgulhar, tirando o futebol, o carnaval e outros atributos que, para muitos, são os derradeiros. Neste caso do cinema, a meu ver, tal negligência não se justifica, pois o cinema brasileiro tem se reafirmado nestes últimos anos e ganhado projeção, dentro e fora do país, despontando com filmes como Central do Brasil, Orfeu, O Auto da Compadecida, Carandiru, Deus é Brasileiro, Cidade de Deus - que concorrerá ao próximo oscar com quatro indicações, dentre elas a de melhor direção -, dentre outros. Nenhum dos filmes aqui citados está contemplado na galeria da fama do ''Multiplex Catuaí'', e, desta forma, o cinema ''tupiniquim'', mesmo com sua recente conformação em âmbito nacional e internacional, não entra no ''hall'' dos homenageados, perdendo espaço, dentro de seu próprio ''arraial'', para o idolatrado cinema norte-americano.
Isto não é um protesto com finalidades bairristas ou nacionalistas, mas é, por assim dizer, um registro, de um brasileiro, de lamento pela ausência de homenagem e reconhecimento ao cinema brasileiro, em um ''cinema brasileiro''.
JONATHAN MENEZES é bacharel em História pela Universidade Estadual de Londrina e membro do Movimento Evangélico Progressista (MEP)

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