ESPAÇO ABERTO - Cinema como fonte para a história
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de agosto de 2003
Jonathan Menezes 
É no mínimo expressivo o influxo das produções cinematográficas exercido sobre a cultura contemporânea. Tal influência, em termos classificatórios, não faz discriminação entre erudito e popular, à medida que se pode apontar para o seu caráter ''democrático'', referente a sua capacidade de alcance e arregimentação de pessoas nas mais diversas partes do mundo. Entre os historiadores, como não poderia ser diferente, o cinema exerce grande fascínio, tanto como fonte para a produção (ou reprodução) histórica, até mesmo como recurso didático para o ensino da história.
Isto pode ser constatado, de acordo com Antônio P. Rocha, ''em consequência, de um lado, da grande quantidade de filmes que tratam de temas históricos e, de outro, da escassez de material didático com que pode contar para lecionar esta disciplina de caráter marcadamente abstrato''.
Quero expor, aqui, alguns dos aspectos limítrofes das relações entre História e Cinema, apontando, por fim, nos termos do historiador Marc Ferro, para algumas ''possibilidades de uma leitura histórica do filme e de uma leitura cinematográfica da história''.
Uma primeira limitação, que é também uma possibilidade, é a do uso do filme como fonte histórica. Todo filme, sendo histórico ou não, pode ser utilizado como documento pelo historiador, porém exclusivamente pelo historiador que o faz com intuito de pesquisar o século XX, e que o considere como mais uma das fontes do trabalho historiográfico. Por mais fiel que seja o autor, em seu esforço por representar cinematograficamente a realidade histórica tal como se passou, o filme revela muito mais a situação da época ou contexto em que foi produzido, que do período histórico representado na ficção.
Em uma produção cinematográfica, ficção e realidade caminham juntas: ''por trás das imagens (...) aparentemente fantásticas, delineiam-se fatos reais, pessoas vivas, produto da experiência pessoal e das observações do autor'' .
Conforme considera Antônio P. Rocha, ''por se tratar de uma arte, o cinema não tem compromisso com a realidade, apesar de nos múltiplos aspectos de qualquer filme estarem presentes as inscrições históricas do mundo em que ele nasceu''.
Eis então uma outra limitação: a obra cinematográfica, por maior poder de influxo social que tenha, antes de mais nada é uma obra de arte, cujo comprometimento maior é com a arte, e menor com a realidade.
O historiador ou professor de história precisa ter em mente as interfaces das relações entre história e cinema que, se por um lado geram limitações, por outro criam possibilidades, a fim de que, na aplicação do filme como recurso didático no ensino da história, sejam anuladas as contingências e sobressaiam as possibilidades de acerto.
JONATHAN MENEZES é estudante de História na Universidade Estadual de Londrina


