ESPAÇO ABERTO - Casamento: tudo sempre igual?
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de junho de 2004
Moacir Costa 
Sabemos que após muitos anos de convivência a maioria dos casais passa a enfrentar o fantasma da rotina e da acomodação. Por mais que tenham conhecimento que esses comportamentos irão ocorrer, muito pouco tem sido feito para mudanças desse itinerário.
Um casal que enfrenta uma situação dessa natureza precisa se abrir e conversar sobre a falta de entusiasmo no relacionamento, por mais difícil e doloroso que possa ser.
Eles devem questionar todas as possibilidades, para saber se as suas expectativas de vida não foram suficientemente realizadas, as influências familiares negativas de um lado ou de outro, a sobrecarga da vida profissional com suas naturais dificuldades financeiras e outros problemas da vida moderna. Nesse pacote emocional ainda, inclui-se a educação dos filhos, que não tem sido tarefa fácil, principalmente quando impera a discórdia conjugal.
A vida a dois nessas circunstâncias mostra a fragilidade da relação, a ausência de atração e afeto entre eles e uma baixa frequência sexual. Esse quadro se agrava quando cada um tenta se justificar, atribuindo ao outro o insucesso do relacionamento.
O homem começa a ficar angustiado, inseguro sexualmente e se fecha, e a mulher, frustrada e envergonhada da situação ou com medo de agravar o problema, se retrai e fica quieta. Esse silêncio denuncia a incapacidade ou impotência do casal diante de uma situação fundamental para o futuro deles. Por outro lado, quando as brigas são constantes eles elegem a cama como o melhor lugar para resolver problemas familiares é a chamada cama antierótica.
Nos últimos tempos, lentamente algumas coisas estão mudando: a emancipação da mulher, a sua autonomia e independência, inclusive financeira, têm contribuído para que o homem deixe de lado a postura tradicional de ser ou ter sido provedor, e tenha uma participação mais ativa na vida familiar se mostrando mais interessado pelos problemas emocionais dos filhos e mais atento afetivamente à parceira.
A conversa franca, a intimidade vivida sem pressa, leva a reaproximação do casal e muitos ressentimentos serão superados e, assim, se abre um novo caminho para despertar aquele desejo adormecido e as lembranças dos períodos de maior vibração irão contribuir para reativar a sexualidade.
Caso tenham se acomodado por muitos anos e a situação se agravado, o mais sensato é procurar uma orientação profissional.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta


