ESPAÇO ABERTO - Carnaval, festival de arte
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de fevereiro de 2004
Faustino Vicente 
O brasileiro é realmente um privilegiado em termos de festividade, pois logo após as comemorações de final de ano e o início das férias de verão, vem o Carnaval que pode ser considerado a maior festa popular ao ar livre do mundo. Tendo como ''comissão de frente'' a incorrigível alegria da nossa gente, ele apresenta-se como um autêntico abre-alas da indústria de turismo e garoto-propaganda das nossas exportações.
O Carnaval, a arte e o mundo dos negócios são destaques do mesmo carro alegórico. O processo de evolução do nosso Carnaval fez com que ele transcendesse o conceito de ópera de rua, para consolidar-se como o mais criativo e democrático festival de artes do planeta. O carnavalesco, protagonista do núcleo de criação da escola de samba, está comprometido com a verdade ao associar a arte as circunstâncias históricas e geográficas.
A imaginação e a emoção simbolizam o corpo e a alma do artista. Da mais famosa passarela a Marquês de Sapucaí à mais simples viela, a nossa musicalidade desfila a sua maior riqueza a diversidade de seus ritmos como o samba, originário do batuque africano. Ao lado da música, a literatura se faz presente com o samba-enredo que pode reescrever o nosso descobrimento ou relembrar os ciclos do nosso desenvolvimento.
A escultura homenageia as nossas celebridades, as artes plásticas faz o lixo se transformar em luxo e a dança exibe todo nosso ''jogo de cintura''. Os nossos artesãos mostram a sua genialidade com o aproveitamento de nossos recursos naturais; a arquitetura também se faz presente, revelando os carnavalescos como verdadeiros ''arquitetos sociais''. O Carnaval é responsável pelo acervo da nossa cultura popular. Senão vejamos. Redescobrindo a nossa história, nada tem escapado a sensibilidade dos carnavalescos que, da tradição à globalização, têm retratado nossos usos e costumes.
No campo empresarial o destaque fica para o formato empreendedor de gestão que faz da ousadia, da criatividade e da empregabilidade soma das competências e habilidades o tripé de um modelo exemplar de organização competitiva. O mundo dos negócios ainda tem que se conscientizar que somente um ambiente de trabalho prazeroso poderá produzir a excelência.
Até a modernidade do Terceiro Setor, com sua responsabilidade social através do voluntariado, de há muito faz parte do ''DNA'' das escolas de samba, que têm desenvolvido excelentes projetos, que vão da pedagogia à tecnologia, contribuindo para reduzir os índices de exclusão social. A elevação da expectativa de vida, a nova estrutura do mercado mundial de trabalho são tendências que elegem a indústria do turismo como um dos mais promissores empreendimentos do futuro. Ao som dos seguidores do lendário Mestre André bateria nota 10 encerro com o meu cautelar grito carnavalesco: vamos explorar o turismo, não os turistas.
FAUSTINO VICENTE é consultor organizacional, professor e advogado em Jundiaí (SP)


