Saiu no Jornal do Brasil, do dia 10/11/04: ''Palocci admite aumento da carga tributária''. Durante a reunião do CDES - Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social - o ministro disse: ''Certamente eu creio que este ano, por causa do crescimento econômico e por causa da Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) sobre importação, nós devemos ter uma carga superior ao ano passado''. Vale lembrar que a Cofins teve sua alíquota majorada de 3% em 2003 para 7,6% neste ano. A arrecadação do governo até setembro deste ano cresceu 11,72% acima do mesmo período no ano passado.
O ministro falou em crescimento econômico; mas é bom dizer que este crescimento ocorre contra a vontade do próprio Antonio Palocci. Ele e sua equipe econômica temem descaradamente o crescimento, pois com o crescimento pode vir a inflação. E, por incrível que possa parecer, o PT está morrendo de medo da dita cuja! Sim, é o mesmo PT que dizia ao FHC que um pouquinho de inflação não seria problema, desde que o país crescesse. A cada reação do mercado rumo ao crescimento, o Banco Central sobe as taxas de juros: anteontem, pelo terceiro mês consecutivo, a taxa Selic foi acrescida em 0,5%, chegando a 17,25% ao ano. Subindo as taxas de juros, o povo investe seu dinheiro no mercado financeiro ao invês de aumentar a produção, o comércio, etc. Desta forma o país não cresce e não gera inflação.
Mas, por falar em crescimento, nossa vizinha Argentina cresceu, no ano passado, 8,6%; neste ano, o crescimento está sendo apontado em 7,1% e, para o próximo ano, já se prevê pelo menos 5% de crescimento econômico. Ah, e com uma inflação de 4,9% ao ano! Ou seja, com uma inflação semelhante à nossa, como os portenhos conseguem crescer tanto? A fórmula é simples: os juros, por lá, são baixos! Estão em cerca de 3% ao ano, o que desestimula qualquer um a aplicar. Assim, o jeito é investir na produção. Desta forma, o crescimento é mera consequência.
Já, no lado de cá da fronteira, tudo o que o governo sabe fazer é aumentar a taxa de juro, inibindo a produção. Como se não bastasse, aumenta também as alíquotas de impostos. Desta maneira, se algum empresário petulante se meter a produzir mais, ele desistirá para não precisar pagar tantos impostos.
Como disse Pero Vaz de Caminha, em sua memorável carta ao rei de Portugal: ''Terra em que se plantando, tudo dá''. Infelizmente, o governo não nos deixa plantar.

EMERSON COSTA LEMES é contador em Londrina

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