ESPAÇO ABERTO - Candidatura ética
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de setembro de 2003
Claudemir Molina<br>Ricardo Cortes 
Alguns dizem que política é coisa suja, o que não corresponde à verdade. Na realidade, a política é uma arte e virtude em favor do bem comum. Da política depende a vida dos cidadãos, pois é nela que se tomam decisões que interferem no cotidiano de todos. Assim, participar da vida pública através da política é um ato de cidadania.
É preciso lembrar que a participação do cidadão não pode estar restrita aos minutos que ele passa na cabine de votação. A participação deve contar, quando possível, com o engajamento em alguma agremiação política, discutindo propostas, expondo suas idéias e também apresentando-se como candidato. O exercício da cidadania pressupõe indivíduos que participem da vida comum e que sejam organizados para alcançar o desenvolvimento do local onde vivem, com comportamento ético na busca da eficiência nos serviços públicos.
A alienação do cidadão do processo eleitoral e a batida tese de que ''todos os políticos são iguais'' serve justamente aos piores, que desejam nivelar ''por baixo'' a disputa. Há, de fato, muitos que afirmam que fazem política quando, na verdade, fazem politicagem, entretanto, sabe-se que existem bons políticos, caracterizados por pessoas verdadeiramente interessadas em construir um mundo mais justo, contudo, constata-se que o quadro dos partidos políticos não reflete o que temos de melhor na nossa sociedade.
Observa-se também, que na época das eleições, frequentemente se vê pessoas reclamando que não têm em quem votar, entretanto, estas também não se dispõem a se candidatarem, e às vezes, quando se sentem impulsionadas, o prazo antecedente necessário para filiação a um partido político, que constitui pré-requisito para uma candidatura, já se esgotou. Para mudar esse quadro, cabe uma indagação, qual seja: Por que não participar da política, desmistificando a idéia de quem participa dela se corrompe?
Um passo é ver a realidade, constatando o absurdo da desigualdade social, da injusta distribuição da renda, e, em seguida, refletir por que as mudanças que queremos não se realizam ou são lentas. E então, se o leitor for coerente e não omisso, começará a agir, colocando-se a serviço de todos, juntando-se a outros com o mesmo ideal, em busca de uma sociedade mais justa e fraterna.
Desta forma, visando obter-se uma melhora dos quadros políticos, é que se faz um chamado aos homens e mulheres de bem, que possuam espírito cívico e que são vocacionados para a política, para que tenham uma participação ativa e construtiva pelo bem de todos. Este chamado não é destinado apenas àqueles que pretendem ser candidatos, mas a todos que têm interesse pelo bem do nosso Município, Estado e País, para que se filiem a um partido que conjugue com sua identificação ideológica, visto que com a participação podem influir na escolha dos candidatos. Pelo exposto, este chamado é dirigido a todos aqueles que são vocacionados para a vida pública, para que participem dos partidos políticos. Vale lembrar, que o prazo para os cidadãos que querem ser candidatos vence no final do deste mês.
CLAUDEMIR MOLINA é presidente ONG Movimento Pé Vermelho! Mãos limpas! e RICARDO CORTES é presidente Conselho de Leigos da Arquidiocese de Londrina


