ESPAÇO ABERTO - Camisinha não garante sexo seguro!
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 31 de julho de 2003
Paulo Arildo 
Ao anunciar sua mais nova ação de distribuir camisinhas nas escolas para estudantes da rede pública de ensino com idade entre 14 e 17 anos, o governo federal informa, por meio de propaganda, que a utilização da camisinha torna seguras as relações sexuais entre jovens que sequer podem responder civilmente por suas atitudes. Ao omitir em todas as campanhas o fato de que a camisinha tem um percentual de falha de aproximadamente 5% se usada corretamente e de 20% em caso de uso incorreto, o governo está jogando sujo com a vida de milhares de jovens que, enganados pela mídia, acreditam que estarão seguros em suas relações sexuais se usarem os preservativos.
Estudos de especialistas mostram que a distribuição de preservativos gera um falso sentido de segurança e leva mais jovens a se arriscarem numa relação sexual. Pesquisas demonstram que a campanha pró-camisinha aumenta a pressão social sobre os jovens para fazer sexo e as possibilidades de contágio. Deve-se considerar ainda que em 2002 foram interditados pela Anvisa, no Brasil, grandes lotes de camisinhas falsificadas de diferentes marcas.
Associe-se a estas informações o fato de que grande parte dos jovens tem sua relação sexual em momentos inesperados ou ainda não querem usar o preservativo. Quantas chances terá um adolescente para falhar até aprender a utilizar, na prática, o preservativo?
Pelas contas do governo, caso 100 mil adolescentes se expuserem ao perigo de ''fazer sexo-seguro'' com camisinha, apenas cinco mil terão suas vidas destruídas pela Aids ou correrão o risco de uma gravidez indesejada. Isso é o que se chama de uma ''margem tolerável''. Por isso, o Ministério da Saúde está distribuindo para rapazes e moças preservativos cujas falhas no uso podem matar muito mais que os acidentes domiciliares com armas de fogo e cuja permissão de uso está sendo discutida, com rigor, pelo Congresso Nacional.
É também necessário lembrar outro problema social: polemiza-se muito a cada caso de pedofilia, no entanto, sob a bandeira de que os jovens estão iniciando sua vida sexual mais cedo, o governo vem abrindo, passo a passo, caminho para que adultos pervertidos acreditem que crianças e adolescentes não passam de adultos em miniatura e, portanto, podem tranquilamente fazer ''sexo seguro'' com qualquer parceiro. Ou é falso afirmar que muitos destes adolescentes que receberão camisinhas serão seduzidos sexualmente por pessoas mais velhas?
Por isso questiono se realmente o Ministério da Saúde está preocupado com a vida de nossos jovens. Hoje, parece ser muito mais fácil fazer cálculos de redução de perdas humanas do que mudar a educação e orientação moral dos nossos jovens. Parece ser mais fácil admitir que o povo é constituído de uma grande massa amorfa que só pensa em sexo do que mostrar que a vida tem muitos outros prazeres que também podem ser desfrutados e que para tudo há um tempo certo.
Não alertar a população para os riscos do uso dos preservativos é um crime que vem sendo praticado há vários anos pelos representantes da Saúde Pública no Brasil e, o que é pior, por vezes com a conivência da mídia, cuja principal função deveria ser a de informar e não a de ignorar os fatos.
PAULO ARILDO é pregador da Renovação Carismática e vereador em Londrina


