Caminhos
Religiões e filosofias espiritualistas sempre trataram do assunto caminho. O cristianismo prega que o caminho é Jesus e para os esotéricos são as experiências de vida, as provas e a reencarnação. Os muçulmanos têm como caminho as cinco orações diárias e os induístas exercitam a meditação assim como os budistas que ainda sugerem a prática do caminho óctuplo ou o caminho do meio evitando os extremos. Como quarta nobre verdade o caminho do meio faz cessar o desejo e consequentemente o sofrimento.
No Antigo Testamento o caminho é visto como a escada de Jacó que leva a Deus. É o caminho certo a seguir conforme ensinamento da maçonaria na esteira do judaísmo. Os espíritas, por sua vez, além de Jesus incluem a caridade como o caminho perfeito. E a Ordem Rosacruz ensina o caminho do renascimento da alma num processo de mudança interior.
Os caminhos são de livre escolha. Pelo menos nos países laicos o indivíduo pode adotar a crença que mais lhe convém, mas há resquícios de dominação e obscurantismo em algumas igrejas. Ao percorrer o caminho, o indivíduo se fortalece espiritualmente. A jornada consoladora revela a verdade e dá um sentido à vida.
O xintoísmo é a espiritualidade natural do povo japonês, cultua a natureza. É um conjunto de ritos e mitos que explicam a origem do mundo e da existência humana. Xinto quer dizer o caminho dos deuses. O taoísmo cultua os antepassados, pratica o exorcismo e as artes marciais. O principal conceito do taoísmo é o Tao com o significado de caminho da natureza. O confucionismo também prega o Tao com a acepção de caminho superior. Seus seguidores têm vida equilibrada, cultuam e fazem oferendas aos mortos.
De consequência, os caminhos são muitos e toda religião é verdadeira. O que importa é a boa intenção. Cada uma é o caminho para o encontro com a divindade e tem a sua razão de existir. A crença é ideal quando induz à prática do bem. Mas nenhuma religião ou filosofia tem o monopólio da verdade.
SANTO CREMASCO é advogado em Londrina



Sanção severa aos sons abusivos
Leis pouco resolvem se não houver severa aplicação delas, e é isso que se espera das autoridades. Melhor que não fossem necessárias leis e que tudo ocorresse pela simples conscientização, mas há os que só se disciplinam pela força das sanções.
No mês passado, por proposição do deputado Luiz Eduardo Cheida, a Assembleia Legislativa do Paraná aprovou lei que regula o volume de som nas salas de cinema, onde a altura tem chegado a até 110 decibéis. Foi uma boa medida, e nesse embalo o deputado poderia avançar e propor normas mais rigorosas também contra o som abusivo de bares, boates e clubes sociais, dos alto-falantes dos automóveis e até dos espetáculos ao ar livre. No caso dos três primeiros, a barulheira se estende até alta madrugada. E o som em certos carros (aquele bate-estaca, que não é música) chega a estremecer o asfalto.
É um contrassenso que um baile comece à meia-noite, e com som altíssimo, quando esse é o horário em que deveria estar terminando. Um clube poderia fazer o experimento de iniciar um baile às 19 horas e encerrá-lo às 24. Assim é, geralmente, com um casamento, com uma festa de aniversário e outros tantos eventos. Citando o exemplo de algumas grandes metrópoles, em Nova York tudo o que gera barulho fecha às 23 horas, e as casas noturnas que vão além são tão blindadas que não se escuta ruído externo. Em Londres os pubs também fecham às 23 horas. Verdade que alguns bares mantêm-se abertos até mais tarde, mas não com tanta zoeira.
De sua vez, os músicos no Brasil deveriam saber que as pessoas vão a um baile ou a um bar não para escutá-los, mas para dançar e conversar, em agradável convívio. A música alta é um estorvo, mas certos músicos, ou quase todos, pensam que estão agradando com o volume no extremo. Parece que eles querem revelar-se pelo som alto e não pela maestria do que tocam, cantam e batucam. Estribadas em leis, as Promotorias Públicas, que têm se revelado atuantes e eficientes, devem voltar sua atenção também para a questão dessa barulheira inconveniente fora de horário.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

mockup