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Londrina

Opinião

m de leitura Atualizado em 01/08/2022, 10:31

ESPAÇO ABERTO - Caminho do Vento e da Água - Shangri-lá

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de agosto de 2022

Adriana de Cunto - Diretora de Redação
AUTOR autor do artigo

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Em 1951, Londrina discutia a proposta de uma cidade “moderna e bem delineada”. “Nos novos arruamentos deve-se aplicar as ideias de unidades de vizinhança, bairros-jardins e outras concepções urbanísticas. Criar e preservar pontos de vista panorâmicos e perspectivas interessantes. Evitar a rigidez excessiva do traçado... Garantir o escoamento de águas pluviais.” Detalhou Prestes Maia na Lei 133/51 (art 11, 14 e 16).

Imagem ilustrativa da imagem ESPAÇO ABERTO - Caminho do Vento e da Água - Shangri-lá Imagem ilustrativa da imagem ESPAÇO ABERTO - Caminho do Vento e da Água - Shangri-lá
|  Foto: Gustavo Carneiro
 

O Loteamento Shangri-lá (Leo Ribeiro de Moraes, 1951), aprovado uma semana após a Lei 133/51, trazia essas diretrizes. Na antiga fazenda Coati, o traçado de ruas curvas no novo bairro era adaptação ao relevo, as praças em meia lua uma estratégia para afastar da linha do trem. As vielas uniam as praças, diminuíam distancias ao pedestre. Permitiam vistas panorâmicas. Era o caminho do vento e da água.

 Em 2022, setenta anos depois, Londrina (re) discute a venda e fechamento de vielas do Shangri-lá. Afirma-se que: “Visualmente é feia, apresenta problemas de segurança e perdeu a função." Devem existir outros parâmetros de avaliação de bairros. Tecidos urbanos históricos precisam ser melhor avaliados e interpretados. Necessitam de maior sensibilidade na conservação e preservação.

Nas ultimas décadas, o mundo vem discutindo a questão da crise climática. Temperaturas cada vez mais elevadas e chuvas torrenciais assolam as cidades. Seguimos na contramão? Fechamos o caminho do vento e o caminho da água. De quebra descaracterizamos um bairro histórico.

O Shangri-lá tem atmosfera. A isso muito contribuem as praças em meia lua, os quarteirões curvos e as vielas. Uma proposta de revitalização do bairro deveria pensar num projeto de iluminação realçando esses elementos. Esses dias vi uma foto de São Paulo tirada a partir de satélite, à noite. Incrível. São Paulo está mais iluminada do que Londres, Paris e Roma. Porém, não melhor. A questão, portanto, não é simplesmente  inundar a cidade com lâmpadas LED.

Nos próximos finais de semana, que tal uma aventura urbana. Visitar as vielas do Shangri-lá. Sentir o vento, contemplar o horizonte. Se chover, tentar seguir o caminho da água.

Humberto Yamaki, coordenador do LabPaisagem UEL

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