ESPAÇO ABERTO - Brincadeiras sexuais
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de novembro de 2003
Moacir Costa 
Qual a importância que você dá às famosas brincadeiras de médico? Aqueles jogos inocentes da infância que para o adulto vêm carregados de grande erotismo e sensualidade? Como agir diante de uma brincadeira que seu filho faz com uma menina? Os pais costumam ficar de antena ligada, e extremamente angustiados, quando o jogo é feito entre crianças do mesmo sexo.
Mas assim que o menino começa a se interessar pelo outro sexo, os pais sentem como se tivessem recebido um prêmio. É uma conquista. Porque são homens que, em geral, tiveram uma sexualidade empobrecida, carregada de conflitos e acabam buscando a realização através dos filhos, é o chamado ''comportamento homofóbico'', fonte de sofrimento de muitos homens.
É bom saber que a percepção da criança não tem, nessas circunstâncias ainda, nada de erótica. Ela brinca porque sente cócega, tem uma sensação agradável, mas difusa, e uma curiosidade permanente em conhecer o corpo. Bem diferente do que sente o adulto, que já tem um amadurecimento neurológico e psicologicamente disponível.
A brincadeira de médico ou qualquer outra representação que a criança faça, como se vestir de enfermeira ou militar, é a forma que ela tem de testar suas hipóteses enquanto futuro homem ou futura mulher e a oportunidade de começar a desenvolver a sua identidade sexual. Esses jogos passam a ter uma importância na sexualidade que irá se desenvolver na adolescência e na vida adulta.
É importante os pais entenderem que esses jogos infantis não levam a nenhum distúrbio e não representam nenhum desvio sexual para a vida futura. Mas quando a criança é reprimida ou proibida de expressar suas vontades, aí sim, pode ter problemas mais tarde. Criança que não brincou, certamente vai apresentar maiores dificuldades no seu relacionamento social e afetivo. Como ela ficou curiosa e insatisfeita, terá muito mais chances de se tornar um adulto inseguro, sempre interessado em olhar pelo buraco da fechadura, idealizando uma situação que nunca conseguiu desfrutar.
Ainda que a criança brinque com outras do mesmo sexo, o temido troca-troca, não terá nenhum dano psicológico e nenhum bloqueio sexual. Essa experiência, comum no sexo masculino, não é vivida com constância pelo feminino, já que as mulheres têm maior dificuldade em tocar a área genital. Isso não quer dizer que as meninas não sintam curiosidade. As de hoje são mais precoces, mesmo porque os meios de comunicação estimulam mais o convívio e o contato.
A televisão, por exemplo, estimula constantemente a criança a imitar os adultos. As meninas aprendem e incorporam muito cedo uma postura mais sensual, deixando de lado a sua natural espontaneidade. O sonho é desfilar como modelo ou ser atriz e alcançar o sucesso a qualquer preço.
É importante lembrar os pais, que os jogos e brincadeiras têm um papel significativo na formação da personalidade e no desenvolvimento emocional da criança. Entretanto, é bom lembrar que os adultos que conseguem brincar eroticamente têm uma garantia maior do prazer.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
- Caro leitor: Caso tenha dúvidas sobre sexo, ligue para 0800-770-6543, de 2 à 6, das 10 às 18h. O atendimento é realizado por médico ou psicólogo. Querendo saber acesse o site: WWW.projetoamarbem.com.br


