A Região Metropolitana de Londrina (RML), um ideal que há anos vem sendo gestado, está prestes a nascer sobre as cidades de Londrina, Cambé, Rolândia, Ibiporã, Jataizinho, Bela Vista do Paraíso, Sertanópolis e Tamarana.
Ainda, no início da década de 90, estudante de Jornalismo e ativista do movimento estudantil, tomei consciência da importância da criação da RML e, juntamente com outros companheiros, passei a trabalhar para a realização dessa proposta. Nutríamos, todos, a convicção de que a união dos municípios, para o planejamento e execução de alguns projetos em comum, promoveria a força da nossa região, a exemplo do que já acontecia pelo país, nas grandes metrópoles criadas em torno das capitais dos Estados. E Londrina, por ser a ''capital'' regional, maior do que muitas capitais, já era, de fato, uma metrópole, uma encruzilhada de muitos caminhos, um pólo de atração de pessoas e de empresas, atraídas pela irradiação de uma forte rede de serviços, sobretudo nas áreas de educação, saúde e cultura, sem contar o potencial para tornar-se um grande centro de eventos e turismo.
A Constituição Federal de 1988 já havia outorgado aos Estados a criação de novas regiões metropolitanas (RMs) e, entre 1997 e 1998, na direção da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), tive a oportunidade de colaborar em mais uma etapa fundamental dessa importante gestação coletiva. Retomamos a discussão e suscitamos a movimentação das forças políticas favoráveis à sua implantação. Já sentíamos as intensas contrações.
Em 17 de junho de 1998, quando promulgada a lei da sua criação, comemoramos o tão esperado acontecimento. Já vislumbrávamos as mais diversas parcerias, nos transportes, meio ambiente, saúde, cultura, telefonia... Com seus primeiros passos apoiados pelo governo estadual, responsável pelo desenvolvimento de todo o Estado (não só da capital), a região cresceria forte e confiante, gerando empregos, produzindo riquezas, compartilhando políticas, dividindo ônus, distribuindo bônus...
Mas não demoramos a perceber que se tratava de mais um empreendimento apenas de papel. A exemplo dos tantos ''cidadãos de papel'', nasciam no Paraná regiões metropolitanas de papel (a RM de Maringá foi criada um mês depois, em 17/07/98). Foram abandonadas à sua própria sorte, sem os recursos necessários à sua consolidação, enquanto a Região Metropolitana de Curitiba (RMC), filha pródiga, crescia na ostentação. Sobreviveram, contudo, graças à nossa capacidade de mobilização, ao nosso persistente desejo de ver nascer ''de verdade'' essa união.
No final de 2002 assumi a Secretaria de Planejamento do Município de Londrina e, como todos que acompanharam esta história já sabem, no ano de 2003, com total apoio do prefeito Nedson, que elegeu a RML como uma das grandes prioridades do seu governo, e com o empenho de todos os deputados estaduais que a representam, conseguimos sensibilizar o atual governo estadual para a importância desta proposta de desenvolvimento integrado regional, e garantimos no Orçamento do Estado uma verba de R$ 1 milhão para dar início aos trabalhos de implantação da nossa RML.
Chegou, enfim, a hora de dar à luz à nossa RML, hora de pari-la sobre o Norte do Paraná, juntamente com a vizinha Maringá. Este é, finalmente, o ano de colher o que plantamos, realizar o que sonhamos, concretizar o que planejamos.
MARCOS DEFREITAS é secretário de Planejamento de Londrina e presidente da Comissão de Trabalhos Relativos à RML

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