Ao longo dos anos em que venho me dedicando ao treinamento nas organizações, tenho observado que as empresas brasileiras estão promovendo mudanças radicais na forma de operarem os seus negócios. Técnicas modernas, importadas de países desenvolvidos, chegam ao Brasil com os rótulos ''aprovado'' e ''comprovado''. Isso tem alimentado a ideologia da revolução na qualidade e produtividade brasileira.
O problema é que pouquíssimas atingiram a tão almejada perpetuação dos sistemas. Este quesito é que garantirá a competitividade e, por conseguinte, a sobrevivência e evolução das organizações. A não perpetuação dos sistemas de qualidade e produtividade brasileiros é um problema de participação real dos trabalhadores na sua construção e implantação. Esta é praticamente nula. Não é ''jogando goela abaixo'' conhecimentos e informações requeridas por um programa qualquer que se conseguirá sua implantação com sucesso.
Por outro lado, como contar com a participação de um trabalhador cuja formação cultural é tão baixa?
De forma geral, as certificações ISO, o Kanban, o Kaizen, etc, são técnicas muito simples, já aprovadas em outros países. Porém, a aprovação só aconteceu devido à formação cultural que propiciou a compreensão dos envolvidos e a possibilidade de todos contribuírem ativamente nas implementações.
Entendendo a questão: vivemos um imenso problema no Brasil. Queremos competir com empresas internacionais utilizando as mesmas técnicas que os seus operários bem formados utilizam em seus países. Se quisermos fazer algo efetivo em solução a este quadro de desvantagens gritantes, temos que transformar o território brasileiro em uma imensa sala de aula.
Clubes, empresas, igrejas, associações de bairro, entidades filantrópicas, hospitais, Forças Armadas, etc, devem ser estimulados com incentivos legais que facilitem a concretização da atitude de educar pessoas. Está demorando muito. Falou-se demais em investimentos na educação. Muitas eleições foram ganhas em cima deste ideal. O que se fez foi quase nulo. Anos e anos de promessas e ocupamos uma sofrível colocação no ranking mundial da educação. Gastaram todos os discursos dizendo que o povo brasileiro é importante e nada foi feito para desenvolvê-lo e educá-lo.
Enquanto não tivermos compreensão plena desta situação e não agirmos com as ferramentas e os recursos de que dispomos, estaremos, sim, comprometendo anos e décadas preciosas de nossos filhos e netos. Não importa quantos recursos e bens legarmos em herança física a eles. O problema é de cenário geral, é de contexto.
Abraham Shapiro é Diretor de Relações Corporativas e Institucionais da ABRH-Regional Norte e empresário da área de treinamento e desenvolvimento de recursos humanos.

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