O Brasil sem dúvida está assumindo o papel de líder e protagonista no cenário internacional no que tange aos interesses dos países emergentes. Vem desempenhando de forma articulada e ousada a tarefa de representante dos povos em desenvolvimento. Dias atrás liderou os debates conflitantes que envolviam os países subdesenvolvidos contra os interesses da União Européia e dos Estados Unidos. Há quem diga que o fracasso das negociações (iminentemente vantajosas para os ricos do ''primeiro mundo'') se deve às articulações dos nossos representantes, na rodada sobre assuntos de comércio internacional realizada em Cancún.
Em suas viagens pelo exterior, principalmente em conferências e encontro realizados pela ONU, Lula não titubeia e nem poupa críticas no que diz respeito ao protecionismo exacerbado dos países ricos que tanto assola os miseráveis e pobres dos países subdesenvolvidos e, ainda, não teme em tecer críticas ferrenhas acerca das investidas norte-americanas (ações estas oriundas de um projeto demagógico e imperialista, camufladas por títulos chamados de: ''Ação Contra o Terror'', ou ''Guerra de Prevenção'', ou como preferirem os mais ingênuos), como por exemplo a missão quase impossível de democratizar o Iraque.
Por outro lado, o Brasil busca o robustecimento com a real integração do Mercosul, e alianças com os países do Pacto Andino, ou seja, trás para si a responsabilidade de ser o fiel porta-voz dos reclames dos povos sul-americanos. E, também, articula alianças internacionais fora do contexto sul-americano, como acordos comerciais com a África do Sul, visita ao México, Cuba, Índia e outros mais. Existe até cogitação da criação do G-20, com inclusão da China e da Rússia. Sem querer se estender por demais, seira de bom alvitre mencionar, também, a candidatura do Brasil a membro do Conselho de Segurança da ONU.
Enfim, se lermos nas entrelinhas identificaremos o quadro contextual ora exposto, qual seja: um mundo que já foi bipolarizado após a 2 Guerra Mundial até o final da década de 80, entre o capitalismo ferrenho e um socialismo opressor, agora tende, novamente, à bipartição, só que desta vez com um real desequilíbrio, ou seja, entre os emergentes do famigerado ''terceiro mundo'', e os demagógicos, porém ricos e poderosos do ''primeiro mundo''. E na linha de frente fazendo oposição a estes, vem o Brasil com uma política externa estrategicamente inteligente, pela qual insurge como protagonista e mentor de uma tarefa muito difícil.
FÁBIO CHICAROLI é estudante de Direito das Faculdades Nobel em Maringá

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