ESPAÇO ABERTO - Bom e ruim na Pequena Londres
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de novembro de 2003
Osvaldo Cardoso Ribeiro 
Como é bom lembrar que Londrina foi a capital mundial do café. Colonizada pelos ingleses que deram as primeiras expressões materiais e moldaram os padrões morais, denominando-a ''Pequena Londres''.
Não há uma cidade paranaense com mais características que possam ensejar qualidade de vida quanto a Londrina dos nossos dias. Qual a cidade que tem um lago tão aprazível que passa dentro da cidade, um bosque verdejante, instituições de ensino superior, o parque Arthur Thomas, a mata do Godoy, o salto Apucaraninha? É necessário que saibamos mostrar esta imagem colorida ao Brasil e as autoridades municipais invistam e conservem estes locais.
Nesta cidade que parece um jardim não existem somente flores, os espinhos também nascem e proliferam. Só caminhando a pé pela Pequena Londres é que se pode perceber aspectos positivos e negativos, coisas que gente gosta e que não gosta de ver.
Descendo a Rua Bélgica, imediações da Cativa, às margens do Cambezinho, isto é ruim. Famílias tomaram posse de terrenos, fixaram suas residências, pouco ou nada plantaram e se eternizaram no local. Neste trajeto há muita sujeira e lixo doméstico. Seria bom que se concretizasse projeto urbanístico para melhor a qualidade de vida da população.
Às margens do Igapó, o povo se diverte, pesca, corre, caminha, respira ar saudável. Alguns sentam-se sob as arvores, namoram, lêem, tomam uma garapa, uma água de coco. Isto é bom. Mas o frequentador do Igapó, acha ruim quando caminhando as bicicletas quase o atropelam. Quando precisa jogar algo no lixo não encontra lixeira. Quando precisa de segurança não a encontra. Ao anoitecer não pode caminhar ali, pois as luminárias foram quebradas e só há escuridão. Quando há necessidade de utilizar o sanitário (pasmem!) ele foi lacrado. O sanitário (500 metros após a barragem), de tão sujo e malcuidado acabou sendo desativado. Existe um mais adiante, fétido, sujo, humanamente impossível sua utilização.
Quem bom ver a euforia em torno do Zerão. A alegria dos jovens nas academias. As crianças brincando no parquinho criado pela prefeitura. As quadras com as pessoas se mexendo esportivamente. Ruim é olhar as escadarias do Zerão, em frente ao anfiteatro, as imediações do Moringão, ver inúmeros jovens se drogando, perdidos no tempo, sem rumo e perspectivas. Parece que não há nenhuma autoridade em Londrina responsável pelo menor de rua. Estão ali, vivem ali, despreocupadamente, ninguém se interessa em reencaminhá-los na vida.
Em tudo na vida há um misto de bom e ruim...em nossa cidade o que fazer enfim? A verdade é que não se deve ver as coisas de longe, deve-se sair dos gabinetes e olhar a cidade. Neste pequeno trajeto quantas coisas vistas. E, se continuar, muita mais se verá pela cidade. A saída é a administração municipal se fazer presente em todos os recantos da Pequena Londres. Administre-a verdadeiramente, mostre ao mundo sua cara: uma das cidades mais lindas do Brasil!
OSVALDO CARDOSO RIBEIRO é professor em Londrina


