Desejar, aprender e praticar o bem sem se cansar é que nos pedem as Escrituras Sagradas. O bem tem um grande preço. Praticar o bem e evitar o mal é um princípio ético universal, embora o império do mal tenta impor-se. Não basta o bem-estar, é preciso ser bom, fazer o bem e querer o bem dos outros, é o amor de benevolência.
Dez pontos nos ajudam a identificar e praticar o bem. Primeiro, a humildade. Consiste em ver e alegrar-se com o bem dos outros, aceitar e agradecer nosso lado bom. Humildade é no fundo ser verdadeiramente humano. Os humildes promovem o bem, aceitam as limitações próprias e dos outros. Segundo, a compaixão, que pensa no bem do outro, sofre com o outro e procura caminhos de promoção dos outros. A compaixão é o oposto do egoísmo. Terceiro, a serenidade, por meio da qual não perdemos a paz nas situações de injúrias, humilhações, depreciações. Serenidade é o oposto de vingança, precipitações, agressividade. É um bem pessoal, comunitário e social.
Quarto, o desapego, que nos faz livres dos laços escravizantes frente às coisas e às pessoas. Pelo desapego sofremos menos e tomamos atitudes maduras e sábias. A raiz da paz é o desapego. Quinto, retidão de consciência pela qual evitamos prejudicar os outros e viver uma vida correta, pautada pela ética, a reta intenção e reta decisão.
Sexto, a meditação pela qual nos encontramos com Deus, com os outros e conosco mesmos. A meditação é atenção ao espírito, à alma, ao coração. Ela nos torna saudáveis, sábios, servidores e santos. A meditação, o silêncio, a contemplação são remédios para a superação da raiva, da inveja, do ciúme e de outros males.
Sétimo, a reparação, que consiste em consertar o destruído e realizar o contrário do que é destrutivo. A reparação é um sentimento de arrependimento, de vergonha e de conversão. Assim, pela reparação nos tornamos construtivos, positivos, pró-ativos pagando o mal com o bem, devolvendo o bem que foi prejudicado por nós. A reparação é um ato de justiça e de amor. Oitavo, a bondade, pela qual temos consideração pelos outros, oferecemos amizade, perdão e reconciliação. Pela bondade faz diminuir a hostilidade, a indiferença, a antipatia, o mau humor. Como é bom ser bom, como é belo ser bom.
Nono, a força de vontade, que é uma atitude de ânimo, coragem, esperança, ousadia. É uma energia interior poderosa pela qual vencemos vícios, assumimos responsabilidades e evitamos omissões, pessimismos, desânimos. Com a força de vontade derrotamos o vício da preguiça e abraçamos a fidelidade. Hoje procuramos a felicidade pelo caminho da facilidade. Estamos equivocados, pois, o rumo certo é a força de vontade.
Décimo, a flexibilidade pela qual superamos toda atitude de rigidez, moralismo, autoritarismo, tradicionalismo. Flexibilidade é ter mente aberta, não ser escravo da lei e saber valorizar a situação concreta. O fanatismo e o fundamentalismo tão presentes em nossos dias serão superados com a flexibilidade, a visão correta e integral da realidade, a aceitação das diferenças, a tolerância. É preciso ver a verdade que está no outro e acolhê-la. Dependemos uns dos outros e a interdependência pede flexibilidade.
Jesus passou fazendo o bem. Quanto bem está sendo realizado. O bem comum é a bússola de uma sociedade justa, fraterna e solidária. Que tenhamos a satisfação de fazer o bem e alegrar-nos com o bem, o sucesso, a felicidade dos outros. Os caminhos do mal são atraentes e ilusórios, já os caminhos do bem são estreitos, mas satisfatórios, construtivos, santificadores.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina

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