ESPAÇO ABERTO - Biodiesel: política de inclusão social
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de agosto de 2003
Lygia Pupatto 
Quando a sociedade discute um novo compromisso social entre Universidade e Sociedade. Quando a isso se acresce a circunstância de inauguração de um novo projeto estadual e nacional de inclusão social, com crescimento sustentável, que tem como objetivo principal a abolição das desigualdades.
Quando as universidades e o governo do Estado debatem como as IES (Instituições de Ensino Superior) podem atuar como centros de produção de conhecimento, de geração de tecnologias, de contribuição para o desenvolvimento e a inclusão social.
É com muita satisfação que a Universidade Estadual de Londrina, sedia o 1º Seminário de Biodiesel, porque achamos que através deste projeto poderemos dar a contribuição que esta sociedade tanto necessita. O desafio que nos é colocado de investir em uma nova matriz energética, para substituir as fontes baseadas em carbono fóssil (petróleo, gás e carvão), é imenso.
Quando se fala em biomassa, biodiesel ou biocombustível , estamos falando de uma fonte de energia que é limpa, renovável, criadora de empregos, descentralizadora de renda. Poderemos agora fazer a nossa revolução verde, fazer o nosso pacote tecnológico, dando oportunidade para que o Brasil venha a ingressar no bloco dos países detentores de tecnologia de biocombustível, tornando-se exportador de tecnologia.
Sob essa perspectiva abre-se para o nosso Estado a possibilidade, através da implantação de um projeto como esse, de gerar inúmeras oportunidades de emprego e renda, que irão alicerçar em novo ciclo de desenvolvimento sustentado no interior do Estado, com foco nos agricultores familiares e nas pequenas comunidades.
O Estado poderá ter uma atuação muito forte neste projeto que contempla aspectos muito mais amplos que o tecnológico: políticas: fundiária, fiscal, tributária, creditícia de abastecimento, organização comunitária e o uso do poder de compra do Estado, para garantir o processo de suas políticas sociais.
Para atingirmos esses objetivos será necessário organizar os instrumentos do Estado e as forças vivas da sociedade. Reforçamos a proposta de criação da ''Rede Paranaense de Pesquisa e Transferência de Tecnologia em Agricultura de Bio-energia'', envolvendo todas as Universidades Estaduais, UFPR, Tecpar, Iapar, Embrapa, Emater e cooperativas agrícolas; além dos parceiros privados que possuem centros de desenvolvimento tecnológico.
A conformação e a operação dessa Rede que estamos propondo representará um esforço único de todas as instituições do nosso Estado, que estarão agregadas em torno de uma proposta de inclusão social de comunidades do interior, de agricultores familiares, conferindo-lhes oportunidades de emprego e renda e perspectivas de melhor qualidade de vida e expectativa de um futuro digno para uma parcela da sociedade paranaense que se encontrava à margem dos benefícios das políticas públicas.
Tenho certeza, ao implantar este projeto como um projeto prioritário deste governo, o nosso Estado estará dando uma contribuição ímpar para a conquista da emancipação e da soberania do nosso País. E as nossas instituições poderão contribuir efetivamente para a construção de uma sociedade mais cidadã.
LYGIA LUMINA PUPATTO é reitora da Universidade Estadual de Londrina


