ESPAÇO ABERTO - Auto-erotismo e ansiedade
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de janeiro de 2004
Moacir Costa 
No campo da sexualidade, o auto-erotismo e sua manifestação mais ousada e prazerosa, a masturbação, ainda mobiliza em muitas pessoas sentimentos de vergonha e mal estar. Isso é facilmente compreendido, uma vez que secularmente ela foi considerada uma perversão sexual, uma forma de distúrbio mental, motivo até mesmo de internação psiquiátrica.
Todos sabem que desde muito cedo a criança manifesta intensa curiosidade em conhecer e identificar as sensações que tem pelo corpo. Ao tocar áreas ou pontos considerados erógenos, sente cócegas e uma sensação difusa, muito agradável, desde os primeiros anos de vida. Isso faz parte do processo de desenvolvimento afetivo e sensorial do ser humano.
No trabalho clínico é comum homens ou mulheres, apesar de estarem envolvidos emocionalmente, demonstrarem enormes dificuldades em desfrutar do prazer, devido às proibições e seus consequentes bloqueios relacionados ao contato com o corpo e a nudez.
A ansiedade decorrente dessas situações e a precocidade sexual do homem em relação ao sexo induz muitos deles a buscar na masturbação uma maneira de aliviar suas tensões e frustrações, ou ainda uma forma de combater a insônia. Nessas circunstâncias o prazer é menos gratificante por não estar ligado à troca entre os parceiros e passa a ser apenas uma atitude solitária.
As mulheres, na sua maioria, não tiveram a mesma precocidade que os homens e pouco contato tiveram com sua genitália. O excesso de proibições colaborou para que as curiosidades relacionadas ao corpo não pudessem ser descobertas.
Isso explica, até certo ponto, a dificuldade da mulher em demonstrar o seu desejo e apresentar uma curva ascendente de excitação mais lenta que o homem, contribuindo para a demora ou incapacidade de chegar ao gozo. Apesar dos inúmeros debates e publicações sobre o tema, é sempre oportuno e necessário desmistificar tabus e preconceitos sobre o corpo, seu potencial de prazer e especificamente a masturbação como recurso para aumentar a intimidade sexual.
É importante reconhecer que a busca compulsiva do sexo e da masturbação está muito mais relacionada ao excesso de ansiedade que ao aumento do desejo sexual. É oportuno buscar ajuda psicológica nessas circunstâncias, para que a sexualidade seja fonte de aproximação e prazer e não de angústia.
MOACIR COSTA é médico-psicoterapeuta e autor do livro ''Amar Bem''
Caro leitor: Caso tenha dúvidas sobre sexo ligue para 0800-7706543 (gratuitamente), de 2 à 6, das 10 às 18h. O atendimento é realizado por médico ou psicólogo. Ou acesse o site: WWW.projetoamarbem.com.br


