ESPAÇO ABERTO - Até tu água mineral?
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de agosto de 2009
Alessandra Cabral Leite Duim 
O desenvolvimento industrial tem como consequência inevitável a exposição do homem a um número crescente de agentes que constituem um risco para sua saúde. Estima-se atualmente que pode chegar a aproximadamente cinco milhões as diferentes substâncias químicas. Nos últimos anos, problemas relacionados à contaminação por substâncias ou elementos que podem ser um risco à saúde humana se tornou uma preocupação de caráter mundial.
A água mineral engarrafada é a bebida cujo consumo mais cresce no mundo. Considerada ''pura'', nem sempre está mais protegida de contaminantes químicos do que a água da torneira. Isso se deve às embalagens plásticas de poli (tereftalato de etileno) - PET - um dos termoplásticos mais produzidos no mundo, principalmente na forma de garrafas que podem constituir uma fonte de contaminação para água mineral.
Mais o que há na garrafa de água mineral? O processo de produção de plásticos envolve o uso de catalisadores e dos mais variados tipos de aditivos os quais podem conter elementos tóxicos. Compostos reativos como monômeros substâncias de partida para a produção de polímeros e oligômeros de baixa massa molar estão presentes na embalagem PET, formados durante o processo de produção e fusão da resina, além de compostos de degradação e resíduos provenientes do processo de conversão que podem migrar para a água mineral.
O PET assim como todo polímero sofre a ação da água, oxigênio, gás carbônico, raios ultravioleta do sol, esforços mecânicos e altas temperaturas. A interação do PET com esses componentes gera mecanismos diferentes de degradação, que implicam em mudanças das propriedades físico-químicas. A alteração de sabores e aromas desagradáveis em água mineral é devido à presença de acetaldeído, um subproduto da degradação do PET.
O antimônio, por exemplo, é um produto químico potencialmente tóxico utilizado na fabricação do PET. Cientistas descobriram que quanto mais tempo uma garrafa de água fica armazenada (na loja ou em casa) mais antimônio desenvolve. Altas concentrações de antimônio podem causar náusea, vômitos e diarreia.
Estudos recentes revelaram migração de compostos potencialmente genotóxico e que podem levar ao câncer mesmo em baixas concentrações, além de apresentarem efeito acumulativo no organismo. Segundo pesquisadores, os efeitos a longo prazo de substâncias que migram de embalagem PET sobre a saúde humana pode ser mutagenicidade e carcinogenicidade.
Por esses motivos, muitos sistemas de legislação têm buscado políticas de harmonização onde as regulamentações ocorrem principalmente por meio de listas positivas, ou seja, listas de substâncias autorizadas e suas restrições de uso. Embora as legislações disponham de mecanismos de regulamentação e controle sobre as substâncias químicas utilizadas em embalagens em contato com alimentos, no caso do PET, existem limites estabelecidos apenas para os aditivos e substâncias de partida. Não foram estabelecidos ainda limites quanto ao monômero bis(2-hidroxietil)tereftalato e os oligômeros do PET, além ainda da falta de informação científica sobre a segurança de algumas substâncias às quais a população pode estar exposta.
Será que o acúmulo desses compostos que migram da embalagem PET para o produto em contato, no futuro não será lesivo ao nosso organismo? Ainda não sabemos quais os riscos exatos para a saúde que as embalagens de plástico e o armazenamento equivocado da água mineral podem oferecer. Como o maior inimigo do consumidor ainda é a falta de informação é importante conhecer os riscos potenciais para a saúde do indivíduo. Um grande alarme de advertência com relação a certas substâncias químicas específicas é necessário para impulsionar os interesses científicos capazes de identificar potencialidades nocivas ao homem exposto diariamente.
ALESSANDRA CABRAL LEITE DUIM é estudante do curso de Ciências Biológicas da UniFil em Londrina


