ESPAÇO ABERTO - Ataques à Campanha da Fraternidade
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021
Padre José Cristiano Bento dos Santos 
Os materiais produzidos contra a Campanha da Fraternidade que estão circulando nas redes sociais, não contribuem para a edificação da Igreja. Percebe-se que os conteúdos estão estruturados em inverdades que têm por meta destruir as ações de uma Igreja comprometida com as propostas de Jesus, dos (as) santos (as), mártires e dos Papas preocupados com a justiça social.
Pessoas de bom senso, honestidade intelectual, capacidade crítica e testemunho cristão sabem que nenhum material da internet deve ser divulgado antes de ser analisado com profundidade e verdade, principalmente, quando se refere à Igreja de Cristo. Estas narrativas contra a Campanha da Fraternidade manifestam desinformação sobre as ações sociais da pastoral católica, acusações infundadas sobre os bispos do Brasil, ausência de dados sobre a violência e genocídio praticados contra a população negra, indígenas, mulheres, comunidade LGBTQI+, manipulando o objetivo da Campanha da Fraternidade que é a unidade dos cristãos, a partir da solidariedade.
As narrativas destes materiais usam da fé de pessoas simples, que se apoiam em indivíduos que instrumentalizam a religião para a manutenção de projetos políticos que mantêm o povo na submissão e exploração. A Campanha da Fraternidade fala de união entre os cristãos católicos e evangélicos. Isto é o sonho de Jesus. Porém, há cristãos que não querem concretizar este sonho do Cristo, como os oradores que gritam contra as ações da Igreja.
Estas pessoas se revelam em seus discursos disseminados na internet, como religiosos que desconhecem a história da Campanha da Fraternidade. A Campanha da Fraternidade (fraternidade: irmandade) é um modo privilegiado pelo qual a Igreja no Brasil vivencia a Quaresma. Por isso é importante conhecer a história desta ação da Igreja que surgiu desde 1964.
Diante de tanta violência no mundo, respaldada pela religião, é urgente perceber que este momento de preparação à realização da Campanha da Fraternidade de 2021, oportuniza meios para o(a) cristão(ã) refletir, avaliar e identificar caminhos para a superação das polarizações e das violências que marcam o mundo atual. Visto que é visível também, nas redes sociais (principalmente nos grupos de WhatsApp de membros de pastorais e movimentos), uma enorme apologia (defesa) ao ódio.
É estarrecedor o número de católicos que no intuito de defenderem suas opiniões, muitas vezes infundadas no Evangelho, nos documentos da Igreja e do Papa Francisco, expressam todo tipo de acusações, mentiras, rancores e desrespeito contra seus líderes religiosos, neste caso, os bispos (CNBB), sucessores legítimos dos Apóstolos, durante o período da Campanha da Fraternidade.
Este tipo de comportamento revela um perfil de católico mal- intencionado, proporcionando perseguição de católico contra católico dentro do mesmo credo e da mesma fé religiosa. Esta tensão é consequência de um projeto de país, um Brasil de “religiosos” sem Deus, que trocou o amor pelo ódio. Por isso, é preciso conhecer a história de cada ação da nossa Igreja, para não dividir o corpo de Cristo que é uma construção de amor e união e não de divisão.
Padre José Cristiano Bento dos Santos, pároco na Paróquia Santo Antônio, do Conjunto Cafezal, em Londrina.


