Os santos também têm responsabilidade sobre nós e sobre o mundo que habitamos, e eles velam nossa passagem por aqui, porque a tarefa é mútua. Quando falo santos digo genericamente os grandes mestres que povoam as esferas superiores, que não são propriamente lugares embora de certa forma o sejam mas estados de consciência. Temos as mesmas propriedades dos santos e somos tão divinos quanto eles, mas as negligências do nosso livre arbítrio nos têm retardado pelo caminho. Somos feitos à imagem e semelhança de Deus e com a mesma substância de luz, e assim não somos menores que Deus, eis que o compomos, portanto fazendo parte dele. Nosso corpo físico, sim, pouco representa, embora seja nosso santuário nesta dimensão terrena, e por isso temos sobre ele grande responsabilidade, não nos cabendo molestá-lo, viciá-lo, destruí-lo por mau uso.
Somos corpos de luz encarnados, exercendo funções de obreiros em tarefas múltiplas e por razões múltiplas. Os santos atuam conosco, tão próximos que quase podemos senti-los, e eles sabem de nossas condições nesta tridimensionalidade, que é densa e penosa. Muitos deles já a experienciaram por aqui. Não tenhamos medo de nada, porque estamos assistidos, primeiro pelo nosso Eu Superior, ou o Ser que habita em nós, ou nosso Deus interno, o nome que se queira. Nós e os santos somos voluntários no gerenciamento dos mundos. Nessa missão não somos objetos de experimento e sim experimentadores e co-criadores, cada qual segundo seu grau e sua aptidão. O universo é um grande campo de trabalho e criação, regido por sábios princípios.
''Assim na Terra como no Céu'' diz a prece, e seu significado é que nada é diferente no universo mas tudo uma só unidade. Não temos que nos desgostar e nos desgastar com atribulações, porque nós as pedimos e também as criamos, como forma de experienciar o processo. O livre arbítrio é inerente às razões do ego, e embora uma condição de liberdade, é de fato um fardo. Porque, na plenitude, ele não mais existe, eis que onde tudo é, não há necessidade de arbítrios.
Mas, se somos assistidos e auxiliados pelos santos, a ponto de sentir-lhes o halo, eles não interferem no nosso arbítrio, até porque não devem, ou quebrariam a lei cósmica e por isso sofreriam sanções. Fosse-lhes permitido interferir, não permitiriam as guerras e as misérias sociais, mas isso seria obstruir a liberdade das nossas vontades e de nossos experimentos. Os santos Jesus incluído não carregam nossas mochilas. Eles estão presentes e caminham conosco, e devemos solicitá-los, porque é também missão deles nos ajudar, porém temos de mover primeiro a nossa roda.
Por obreiro entenda-se aquele que executa a sua tarefa e opera para evoluir em sua busca de conhecer a verdade, porque ela está dentro dele. Se a buscar em outro lugar poderá não encontrá-la. Está dito de mil formas, pela suprema sabedoria, que quando o discípulo está pronto o mestre aparece; assim, se está aberto para conhecer a verdade, ela se apresentará. Estamos vivenciando o processo da Grande Vida, com uma razão e um fim. Os incidentes de percurso fazem parte. Mas não há o que temer porque tudo está salvo em si mesmo.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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