Nossas posturas menos qualificadas não são coisas que adquirimos agora, nestes anos que temos do presente ciclo de vida. Já vínhamos praticando-as e vivendo-as antes de aqui aportar, e continuaremos com elas, mesmo depois do desenlace físico e ainda por transmigrações seguintes, até que resolvamos eliminá-las. Porque essa é uma herança cármica que nós próprios criamos e viemos alimentando-a e às vezes agravando-a, sem vontade de modificá-la.
Assim, nossas descidas a esta baixa densidade terrena e o ressurgir para plano imediatamente superior que não se diferencia muito deste em que estamos vão se repetindo e retardando nossa ascensão para esferas mais elevadas, que são as muitas moradas de que as revelações nos falam. Dessa forma, e por livre arbítrio, vamos reprisando o que na verdade temos sido ao longo das muitas existências, na fisicalidade e nos planos intermediários entre uma e outras vindas e idas, com as mesmas ansiedades, as mesmas fraquezas, os mesmos vícios, as mesmas crenças e o mesmo adormecimento da consciência.
Podemos ir girando por milênios no círculo dessa roda de samsara. E nessa andança, até viver razoavelmente, se nos contentamos com isso. Mas perdemos precioso tempo e nos retardamos nessa caminhada, que tem uma medida e uma duração, significando que podemos cair num ciclo de recomeço em dimensões ainda mais inferiores, embora sem perda do grau de avanço espiritual que tenhamos atingido.
A contrapartida é iniciar um processo de despertamento da consciência, ela que está sempre pronta e apta para revelar-se, da mesma forma que temos dado alento ao ego e o fizemos tão forte e predominante, a nos causar tantos prejuízos. Umas paradas diárias para diálogos íntimos conosco mesmos, ao menos por alguns minutos, iriam abrindo caminhos de despertar e de expansão da consciência, e muitas respostas que buscamos aflorariam, não de fora para dentro mas a partir do nosso interior. O Deus que buscamos ''lá no alto'', para nos dar orientações, não se manifestará se não o sentirmos pulsando em nosso âmago. Tê-lo em nós é a nossa mais valiosa herança.
A vida prática tem nos revelado habilidades que desconhecíamos em nós, porque nunca houve necessidade de utilizá-las. É quando vem à tona uma aptidão que desconhecíamos mas que pulsava latente. Assim ocorre com o potencial divino que habita o nosso ser e não se manifesta se não for buscado, ou uma forte razão nos obrigue a isso. Temos que puxar de dentro esse poder, e tal não acontece se não dedicarmos atenção e tempo para ele.
Vivemos em busca de aperfeiçoar conhecimentos e de aprender alguns novos, para o atendimento de nossos anseios materiais, mas nos esquecemos de chamar pelo mestre que carregamos em nós próprios e que, simplesmente, sabe tudo e está disponível todo o tempo para nos dar respostas e nos livrar das enrascadas em que nos metemos. Significa ouvir nosso Eu Superior, porque ele se nutre da Grande Fonte, onde reside todo o amor, todo o poder e toda a sabedoria.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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