ESPAÇO ABERTO - As eleições no Paraná
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terça-feira, 05 de outubro de 2004
René Ruschel 
As eleições municipais em todo o país são uma espécie de avant-première para 2006. Ainda é cedo para qualquer avaliação concreta, mas as urnas mostram que o PT e o PSDB serão os grandes aglutinadores de votos. O PMDB, pela tradição histórica da legenda, quantitativamente elegeu o maior número de prefeitos em todo o Brasil, mas sua força política não condiz com o fato. Aos poucos o partido vai se transformando num mero apêndice eleitoral.
No Paraná a situação não é diferente. O resultado em Curitiba será fundamental a configuração de um novo quadro político partidário assim como para a formação de qualquer aliança política, afinal, ninguém pode desprezar o potencial de 1,2 milhão de votos. O tucano Beto Richa e o petista Ângelo Vanhoni vão disputar o segundo turno na capital e a partir daí, somados os resultados de Ponta Grossa, Maringá e Londrina, será possível desenhar os primeiros contornos da sucessão para governador em 2006. No entanto, alguns rabiscos preliminares já podem ser vistos.
Os números mostram que o maior derrotado neste primeiro turno foi o governador Roberto Requião. Seu partido, o PMDB, não disputou a eleição em Curitiba com candidatura própria; em Londrina, a deputada Elza Correia não alcançou a 3% da votação; em Cascavel, o candidato peemedebista foi engolido pelo médico Lísias Tomé, do PPS; em Foz do Iguaçu, onde a reeleição de Sâmis da Silva era dada como certa, o pedetista Paulo Mac Donald virou o jogo na reta final e em Umuarama sua candidata, do PV, ficou em terceiro lugar. Em Maringá, a aliança com o PPS naufragou.
Aliás, em Curitiba, o deputado federal Gustavo Fruet - recém-saído do PMDB - poderia ter sido a bola da vez, mas foi expurgado do processo eleitoral por artimanhas do governador e seu grupo. Neste vácuo, quem saiu fortalecido foi o ex-deputado Rubens Bueno, do PPS. Com uma minúscula estrutura partidária e praticamente sozinho - teve apenas o apoio do nanico PH - Bueno conquistou 20% do eleitorado curitibano. Na eleição passada, para governador, sua performance já tinha sido surpreendente. Em todo Estado o PPS venceu em 34 municípios, sendo dois, Umuarama e Cascavel, estrategicamente importantes. Trata-se de um patrimônio politicamente respeitável e que poderá estimulá-lo ainda mais à disputa pelo Palácio Iguaçu.
Correndo em raia própria o senador Osmar Dias, que apóia Beto Richa em Curitiba e certamente exigirá a recíproca, também articula sua candidatura a governador nas próximas eleições. Há quem diga que hoje um dos nomes dos sonhos para vice de Osmar é o do Gustavo Fruet. Como a renovação no Senado prevê a eleição de dois senadores, certamente será menos difícil para os candidatos uma ampla articulação partidária. A dúvida é saber se em 2006 a coligação PT-PMDB irá se repetir no Paraná. Mas esta é uma outra história e que estará diretamente articulada à sucessão presidencial.
RENÉ RUSCHEL é jornalista em Curitiba


