ESPAÇO ABERTO - As câmaras de vereadores e o simplismo da mídia
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005
José Maschio 
O aumento da verba de gabinete de câmaras de vereadores em todo o país foi anunciado há tempo. Foi quando o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) diminuiu o número de representantes populares em vários municípios brasileiros.
A miopia e o simplismo com que a mídia da elite e para a elite brasileira tratou o caso, na época, já mostrava que o aumento da verba era mais que anunciado. Era apenas questão de tempo.
O modo com que a imprensa seja de rádio, TV ou jornais impressos tratou a redução do número de vereadores é que foi absurdamente simplista. Em um discurso quase ridículo só se falou na ''importância da redução do número daqueles que vivem às custas do povo''.
Em uma democracia que mereça o nome, representantes do povo devem ser remunerados, e bem, para não ficarem à mercê de propinas e jogo de interesses que não sejam da população.
Quando o TSE reduziu o número de vereadores, não ocorreu o mesmo com relação ao 6% do orçamento de cada município para o Legislativo. Seria acreditar em papai noel crer que os legislativos iriam propor redução das suas fatias no bolo municipal.
A redução foi elitista e define bem o caráter da democracia brasileira. Deve fazer política quem tem dinheiro para gastar nas campanhas. A redução, no caso de Londrina, de 21 para 18 vereadores, reduziu também as chances de lideranças realmente populares, e mesmo por isso sem recursos, chegarem ao legislativo municipal.
Assumir agora uma postura de revolta contra o vergonhoso aumento das verbas de gabinete, como faz a mídia em um todo, cheira até mesmo a hipocrisia. Mas não esconde o óbvio: a imprensa continua como aquele cachorro, que corre atrás do próprio rabo sem perceber que nunca poderá alcançá-lo.
Esse episódio deveria servir de alerta aos meios de comunicação. Está na hora de nosso chamado quarto poder começar a analisar os fatos com criticidade e isenção. Uma postura crítica e serena da mídia contra a redução demagógica e, volto a repetir, elitista, do número de representantes nas câmaras municipais teria evitado episódios vergonhosos como o que ocorre em Londrina.
JOSÉ MASCHIO é jornalista em Londrina


