ESPAÇO ABERTO - Apartidarismo ou fuga de posicionamento político?
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de junho de 2004
Ana Laura Azevedo 
A questão da presença de partidos políticos nas chapas que concorrem ao Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) tem permeado os debates sobre a eleição da entidade, com uma das chapas se afirmando ''apartidária''. Além da tal chapa, a 3, ter sido organizada por membros do MSU (Movimento dos Sem-Universidade), que tem vinculação direta com o PT, a própria história recente da UEL contada por eles demonstra aonde leva esse discurso ''apartidário''. As chapas que se elegeram ao DCE nos últimos anos, que deixaram de se posicionar sobre questões importantes e abandonaram o DCE, faziam exatamente o mesmo discurso.
Ao perceber esta semelhança, dá pra entender melhor o que o discurso ''apartidário'' pretende atacar: não o fato de que partidos políticos tentam aparelhar entidades estudantis e utilizá-las para seus interesses eleitorais; mas a necessidade de posicionamento político dos estudantes. O aparelhismo e o alinhamento com reitorias e governos realmente têm atrapalhado, e muito, o movimento estudantil, mas não é fugindo do posicionamento político, e sim se organizando em torno de um programa político claro, que os estudantes serão capazes de fazer frente à atual situação de penúria da Educação. E é um absurdo falar da organização partidária como algo ''externo'' à universidade.
Os partidos são a forma que temos hoje para organização de grupos de pessoas em torno de um projeto comum de sociedade. Na UEL ou fora dela, as pessoas se posicionam o tempo todo e têm o direito de se organizar para pôr em prática suas posições. Muitos fogem de assumir uma posição política, de divulgá-la no papel, só para depois poder mudar de lado mais facilmente.
É importante, sim, que quem disputa o DCE demonstre claramente aos estudantes suas posições políticas; que uma chapa de 15 membros tenha debatido questões políticas e se posicionado sobre elas, porque o DCE não é, como afirma a carta divulgada pela chapa 3, uma forma de representação ''no sistema burocrático instaurado na academia'', e sim um órgão de organização estudantil.
Para que o DCE possa efetivamente representar as decisões dos estudantes, ele tem que colocar claramente as posições de seus membros, para que elas possam ser discutidas por todos e se chegue ao que deve ser encaminhado pela diretoria. Posicionamento todo mundo tem, e escondê-lo é uma forma de se desviar da discussão, não de garantir a democracia.
ANA LAURA AZEVEDO é jornalista recém-formada pela Universidade Estadual de Londrina


