ESPAÇO ABERTO - APAE: 50 anos de conquistas
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de dezembro de 2004
Alvaro Isaque Guerra 
Em 11 de dezembro de 1954, foi fundada a primeira APAE do Brasil, no antigo estado da Guanabara, hoje Rio de Janeiro, dando origem ao movimento que se estende hoje a mais de duas mil APAEs distribuídas pelos municípios do Brasil. Esses últimos 50 anos, foram anos de trabalho sério, árduo, desempenhado por brasileiros humanistas e cristãos, que acreditam que só podemos melhorar nossa qualidade de vida, quando melhorarmos a de todos aqueles que estão a nossa volta.
As APAEs são o resultado de uma atitude decisiva que se desdobrou em outras atitudes. A prova de que a solidariedade é um somatório da relação entre as nossas necessidades e as necessidades dos outros. Quando essa necessidade se acompanha da coragem e da perseverança, a continuidade é garantida pela multiplicação positiva dos resultados, e hoje as Apaes são instituições dinâmicas, tecnicamente atualizadas, arrojadas e que lutam para expandir sua estrutura, ganhar projeção e ampliar os serviços à sociedade.
As APAEs são entidades mantenedoras de escolas especiais que oferecem atendimento educacional a milhares de crianças e adultos, composta por uma rede de profissionais que promovem a inclusão social e se esforçam para sensibilizar e conscientizar a sociedade e os órgãos públicos sobre os direitos fundamentais de cidadania das pessoas especiais. É inegável que o fato de contarmos hoje com um conjunto de normas vigentes em nosso ordenamento jurídico, que disciplinam a verdadeira educação especial, é fruto da luta intransigente e da firme determinação das Apaes de todo o Brasil.
Entendemos que devemos proporcionar todos os meios possíveis para que essas pessoas especiais sintam-se parte da comunidade, e peças fundamentais na engrenagem da vida. Cabe-nos muito mais que simplesmente aceitá-las, devemos trabalhar incansavelmente para fazer valer cada direito tão arduamente conquistado nesses 50 anos de lutas. Mas ainda há muito que conquistarmos, pois nos países desenvolvidos a proporção de aproveitamento e inclusão de pessoas especiais na educação e no trabalho fica entre 30% e 45%, e no Brasil, esse número é insignificante.
As APAEs no seu conjunto são uma grande e sólida obra social construída, mas ainda pequena se a colocarmos ao lado das necessidades brasileiras. O Brasil já entrou na era da biotecnologia, trabalhando com clonagem e células-tronco, mas metade das crianças que nascem no país ainda não têm acesso, pela saúde pública, a todos os exames preventivos neonatais.
Assim como o Brasil, nos últimos 50 anos conquistou credibilidade e prestígio, e luta para se impor na economia globalizada, as APAEs lutam para expandir sua estrutura, ganhar projeção e melhorar os serviços prestados à sociedade, gerando saúde e cidadania. O Brasil precisa do esforço de todos e as APAEs precisam de cada um de nós.
ALVARO ISAQUE GUERRA é administrador de empresas, advogado e presidente da APAE de Florestópolis (PR)


