ESPAÇO ABERTO - Antigravitação e espaçonaves do futuro
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de outubro de 2004
Marcelo Samuel Berman 
Até agora vista como a propulsão dos discos-voadores (se é que eles existem), a antigravitação parece ter tido recentemente comprovação de sua existência na Física. Dediquei minha carreira ao estudo da Teoria da Relatividade Geral, de Albert Einstein (Prêmio Nobel da Física de 1921), assim como de suas consequências.
Essa teoria afirma que as massas que constituem o Universo causam uma curvatura do espaço, à qual fica evidente para concentrações grandes de matéria como, por exemplo, na vizinhança da superfície do Sol. A certeza de Einstein quanto a esta teoria fica evidente quando, em 1919, ao lhe ser comunicado que os astrônomos haviam confirmado a deflexão de raios de luz em sua trajetória próximo ao Sol, durante um eclipse, ele comenta: ''Ainda bem que perceberam a curvatura dos raios de luz, pois senão eu iria afirmar que os astrônomos são incompetentes''.
Durante muitos anos os astrônomos não conseguiam também explicar uma precessão anômala do planeta Mercúrio, em sua trajetória em órbita solar. Pois a teoria da Relatividade Geral (RG) explica o fenômeno com precisão absoluta!
Cabe observar que existem outras teorias, chamadas ''alternativas'', que obedecem aos mesmos postulados que Einstein adotou (covariância das leis da Física e Princípio da Equivalência), porém divergem da RG nas equações de campo, que são as equações que dizem o quanto a matéria curva o espaço. A mais famosa delas é a teoria de Brans-Dicke. Por covariância das leis da Física, entende-se que as leis da Física devem ser as mesmas para quaisquer dois observadores que se movam arbitrariamente, um em relação ao outro. Já o Princípio da Equivalência afirma que inércia é exatamente igual à gravitação, em valor numérico.
Basicamente, podemos dizer que a teoria da RG passou por todas as confirmações possíveis, dentro do avanço tecnológico do século XX. Mas duas predições ainda não se comprovaram: uma é a existência de ondas gravitacionais, análogas às ondas eletromagnéticas; a outra é o gravitomagnetismo (ou seja, que massas em movimento gerem uma energia gravitacional adicional, tal e qual cargas elétricas geram campos magnéticos).
Nos cálculos que desenvolvi recentemente, não apenas surge a energia do gravitomagnetismo, mas ainda surge a possibilidade de geração de um campo antigravitacional, nas vizinhanças de corpos submetidos a altas rotações. Um campo antigravitacional implica em gravitação repulsiva, da mesma maneira que a atração ou a repulsão podem surgir entre cargas elétricas. Até o presente momento, só a atração é conhecida. O trabalho de pesquisa pode ser achado no site da internet mais famoso dos Estados Unidos, endereço www.arxiv.org, arquivado como gr-qc/0407026. Acredita-se que com este fenômeno de antigravitação, novas espaçonaves possam ser construídas que permitiriam viagens interestelares para terrestres.
MARCELO SAMUEL BERMAN é radicado em Curitiba e doutor em Física Teórica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro


