Teoricamente, o mercado tem sido implacável com a agropecuária. Os produtos têm formação de preços complexa e que nem sempre obedecem à lei da oferta e procura. As interferências externas têm ditado o mercado, muitas vezes de maneira perversa, sempre no sentido de deprimir os preços, para que os outros elos das cadeias do agronegócio possam lucrar mais.
Cartéis e monopólios são formados no setor de insumos agrícolas; os custos sobem, o risco do capital aumenta e a margem de lucro fica cada vez mais estreita.
Alguns produtos, como a soja, sofrem a ação oligopsônica, em que um comprador dita o mercado. Na soja o diferencial de preços tem sido negativo devido à logística inadequada. O frete interno é maior do que o marítimo.
O setor carne sofre problemas crônicos em que o mercado interno dita os preços para um consumidor sem poder aquisitivo. Os frigoríficos lucram com os preços externos e abusos alucinantes que fogem ao controle do pecuarista. A rastreabilidade bovina trouxe dificuldades, sem a correspondente agregação de valores. As informações fizeram com que a quantidade de animais disponíveis para abate se tornasse um jogo de cartas marcadas, prejudicando o produtor.
O problema mais recente é a falta de seguro para a safra de inverno.
A mudança tecnológica ocorrida nos últimos anos foi notável, com aumentos impressionantes de produtividade. Hoje somos os mais produtivos em vários setores, mas produzimos produtos primários que não conseguem agregar valor ao produtor. Produtividade e qualidade são duas palavras da moda e nos fizeram acreditar que seriam as soluções para a agreopecuária, mas para aplicá-las são necessários mais recursos, que fazem aumentar o risco do capital investido e não há contrapartida de preços. A margem é cada vez menor.
Visitando vários agropecuaristas temos encontrado queixas e mais queixas em todos os setores. É a logística do porto, a soja transgênica, o trigo, a carne, o seguro, a cana, o café, a suinocultura e assim vai por praticamente toda a agropecuária.
A sociedade brasileira nos ignora e com as notícias dos maravilhosos superávits do setor, com números gigantescos sustentando o crescimento do País, ela tem certeza da situação financeira confortável do produtor rural. Mas isto é absolutamente uma inverdade, pois o produtor fica apenas com pequena parcela da receita e muitas vezes com prejuízo.
A Sociedade Rural do Paraná deve ter o objetivo de ampliar a base de apoio, buscando um maior fortalecimento, com integração na sociedade, com as instituições constituídas como de tecnologia e cooperativas. Todos os sócios da SRP desejam um posicionamento político firme, forte, objetivo, imediato e o que é mais importante com projeto e propostas. O momento assim exige.
RICARDO GONÇALVES STRENGER é candidato a presidente da Sociedade Rural do Paraná pela chapa Novos Rumos

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