Com o novo ano próximo, estando na conversa de todos o famoso aforismo ''ano novo, vida nova'', considero oportuno comentar sobre as vidas novas, a vida de quem ainda não nasceu, mas já está vivo, esperando o momento. Frente a tanto volume na mídia e no cenário político sobre o tema do aborto, com iminentes decisões importantes na assembléia, convém refletir mais sobre o assunto.
Um ponto crucial sobre a discussão nesse tema é definir a partir de que momento o concepto tem a dignidade de pessoa humana e, assim, possui todos os direitos de cidadão perante a sociedade. Uns dizem que desde os seres começarem a ter consciência de si mesmos, alguns somente quando o sistema nervoso do nascituro está formado e outros já na fecundação.
A opinião de que o concepto só é ser humano a partir do momento que possui consciência de si mesmo considera que um embrião tem menos direito de defesa que uma baleia ou um chimpanzé, pois essas criaturas são mais ''conscientes'' do que fazem e por que vivem. Mas dessa conclusão, surge a pergunta: Uma pessoa em coma, logo, sem consciência de si mesma, vale menos que um chimpanzé ou uma baleia?
Já diante da afirmação de que só se é ser humano quando se desenvolveu o sistema nervoso central, convém relembrar as palavras de Jerôme Lejeune, famoso geneticista, em conferência ao Senado Federal em 1991: ''As leis biológicas após estabelecidas, entram imediatamente em vigor e definem a vida. O mesmo acontece com a Constituição de um país: votada aplica-se imediatamente.''
''O mesmo se passa quando o ser humano é concebido, isto é, quando a informação veiculada pelo espermatozóide vai se encontrar com a que está no óvulo: uma nova ''constituição'' humana se manifesta imediatamente e um novo ser dá início a sua existência.''
Qualquer pessoa que estude embriologia humana verifica que o embrião, já na oitava semana após a fertilização, está com sua organização completa. Possui, ainda que em miniatura, todas as estruturas características do homem, com um sexo bem definido, como são reconhecidos no final da gravidez. E mesmo o zigoto, a 1 célula de todo ser humano, se forem dadas todas a condições, se desenvolve e chega a plenitude de todo seu potencial. Difere pouco do recém-nascido, também dependente de alimento e outros cuidados para seu desenvolvimento.
Como foi visto, constitui tarefa difícil ratificar o momento exato da transformação do nascituro em ser humano. Se não se sabe o tempo, não seria mais coerente mantermos a vida do ser que habita o útero materno, independente do tempo de gestação?
Entre os bons propósitos com que poderíamos entrar no novo ano seria defender mais ativamente a dignidade das pessoas, quer ela tenha 1 dia de vida quer ela tenha 80 anos.

MARCO AURÉLLIO FORNAZIERI é estudante de medicina da Universidade Estadual de Londrina

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