A solução possível para os problemas na área da saúde, até que o crescimento da economia restabeleça as condições capazes de fazer o setor entrar nos trilhos, pode receber um nome tão corrente no linguajar cotidiano quanto difícil de ser convertido em ação objetiva: racionalidade.
De fato, a irracionalidade nesse setor tão complexo e delicado não vem de agora. A política de privatizações, concebida - entre outras motivações menos confessáveis - pela ânsia de alguns governantes de tirar das costas do Estado essa responsabilidade, deu no que todos estão vendo. Contratos que analistas acima de qualquer suspeita têm na conta de capciosos, por passarem ao largo do interesse dos cidadãos, levam ao absurdo de alguns operadores de planos de saúde terem cobrado reajustes, nas adesões anteriores a 1999, superiores a 80%.
Não é senão pelo bem geral que o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), tem pedido a consolidação ou ampliação de programas como o Saúde da Família, que ao promover o modelo preventivo, mais barato e eficaz para países com o perfil do nosso, poupa ainda as pessoas do desconforto de sair procurando nos hospitais, muitas vezes sobrecarregados, solução para questões simples ou até inexistentes.
As casas de parto, tão criticadas por algumas entidades médicas, são outro exemplo de racionalidade, economia e eficiência. Pesquisa feita há algum tempo na cidade de São Paulo comprova o sucesso dessa experiência ao revelar um fato curioso: antes dela, 75% dos partos eram feitos com cirurgia e 25% eram normais. Depois a situação se inverteu, passando 75% dos partos a serem normais e 25% a serem feitos por cesáreas, penosas para a mulher e de alto custo.
Nessa história, o Cofen, longe de pretender ensinar o caminho das pedras, tem feito sugestões capazes de pelo menos ajudar a tornar a saúde um fardo menos pesado para os cofres públicos e uma instituição capaz de cumprir efetiva e corretamente sua função social.
GILBERTO LINHARES é presidente do Conselho Federal de Enfermagem

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