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Londrina

Espaço Aberto - 25/4

m de leitura Atualizado em 22/04/2022, 18:02

ESPAÇO ABERTO - Algumas vidas valem mais do que outras

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 25 de abril de 2022

Nelio Roberto dos Reis
AUTOR autor do artigo

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|  Foto: Sergey Bobok/AFP
 

A invasão da Ucrânia pela Rússia ocorreu no início de 2022. Segundo a Rússia, foi motivada pelo avanço da OTAN no leste europeu. Guerras não têm justificativa, mas Putin dizia que os predominantes russos no leste da Ucrânia sofriam humilhações e genocídios, que buscava a desmilitarização e desnazificação da Ucrânia.

Todos os dias, milhares de pessoas são forçadas a deixar suas casas. O transtorno do estresse pós-traumático pode acometer pessoas de qualquer idade: sintomas como paranoia, incapacidade no ambiente familiar, social e profissional, além de inocentes mortos. Neste contexto, o mundo inteiro se comove, entristece e não consegue entender.

Por outro lado, houve em época recente cinco ataques do EUA, gastando trilhões de dólares, matando milhares de pessoas e pouca comoção internacional. O motivo alegado era o de promover a paz, assim como alega a Rússia.

Afeganistão, iniciada em 2001:  Bush associado à Inglaterra, bombardeou o Afeganistão. Alegaram reinstaurar a democracia e nada mais.

Iraque, iniciada em 2003: originada por uma união liderada pelo EUA. Bombas lançadas em território iraquiano, principalmente em Bagdá. O Governo Bush afirmava que o Iraque tinha armas de destruição em massa e que Saddam Hussein era uma ameaça . Tais armas de destruição nunca foram encontradas. Hoje, os EUA treinam os iraquianos para combater o estado islâmico.

Síria, um conflito interno iniciado em 2011: o povo sírio exigia mais liberdade religiosa, política e de imprensa. Alegando luta contra o terrorismo, os norte-americanos, enviaram soldados que lutam ao lado de milícias. Operações incluem bombardeios e fornecimento de equipamentos e armas.

Iêmen, iniciada em 2015:  guerra territorial com intervenção americana marcada por massacres e violações de direitos humanos, levando a morte de civis com parte dos bombardeiros liderada pelo governo Trump.

Sem falar no Vietnã de 1955, até a queda de Saigon, em 1975, de onde os USA saíram, no mínimo, sem vantagem.

Por que o mundo não reagiu no passado, criticando os EUA tão veementemente como agora (Rússia na Ucrânia)? Vidas do oriente médio, valem menos do que vidas europeias?

Talita Mazelli, disse: "Sociedade feliz é aquela onde há justiça social sem preconceito racial".  Isso ocorre no mundo? Alguém é melhor do que outro alguém?

Já houve, erroneamente, um conceito de superioridade racial exaltado pelo nazismo através da associação da raça ariana, segundo P. Powell, no século XV. Mas, cientistas comprovaram não ter esta teoria credibilidade e hoje temos a Declaração Universal dos Direitos Humanos adotada pela ONU em 1948: “Os direitos humanos são inerentes a todos, independentes de sua raça, sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra condição. Incluem o direito à vida e a liberdade de opinião e expressão, o direito ao trabalho e à educação, entre outros”.

Só precisamos lembrar isso aos russos e americanos, mas não precisamos ir além da nossa pátria onde o direito dos reclusos, direito à juventude, à diferença, à saúde, ao trabalho e ao salário mínimo estão longe de serem respeitados.

Voltando às potências em guerra. Difícil acreditar que mesmo a Rússia tendo 18 milhões de pessoas (12,3%) abaixo da linha de pobreza, se preocupa mais com a guerra do que com o seu povo. Com o fim da União Soviética em 1991, as 15 repúblicas que a formavam foram reconhecidas como independentes e ainda, algumas delas, entraram na OTAN, se aliando aos EUA. A Rússia, insegura fora daquela união, tenta desesperadamente voltar a rugir.

Mas como vamos colaborar com as guerras ao longe se nem ao menos ajudamos a criar harmonia na guerra que existe em torno de nós mesmos, a poucos metros, dentro mesmo na nossa casa?

Nelio Roberto dos Reis é doutor em Ciências pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa)