Quando somos jovens há uma tendência de nos imaginarmos imortais. Não que não possa ser assim. Nós, cristãos, por exemplo, acreditamos na vida eterna. Mas nosso corpo tem um prazo de validade e certamente morrerá. E quanto mais cedo a gente descobrir que precisa preservá-lo, melhor para todos. Com o tempo, acabamos descobrindo que entre o vício e a virtude, é melhor ficar com a última.
Os povos de todo o mundo alcançam uma consciência nunca vista da necessidade de preservação da saúde. Nunca se viu tanta gente engajada na preservação ambiental. Há uma preocupação generalizada também com a saúde e a segurança da população.
A prevenção do uso de drogas, principalmente entre os adolescentes, é uma das maiores preocupações de nossa sociedade. Isso porque as drogas, incluindo o álcool e o tabaco, são fatores que conduzem à insegurança e à morte não só de usuários, mas também daqueles que estão ao seu redor.
Quando somos jovens, no entanto, estamos no auge da nossa capacidade em todos os sentidos e a busca do prazer é apenas um. Se embriagar, de vinho, mulher ou poesia, no verso de Baudelaire, passa a ser parte do cotidiano dos jovens. Como então, lidar com esse paradoxo? Os jovens querem saúde. Mas também querem prazer. Buscam a ambos de forma sôfrega e, por isso, às vezes exageram. Nesses momentos se expõem e expõem a todos que estão por perto, ao perigo.
O consumo de álcool e maconha é a causa maior de morte no trânsito, por exemplo. Ambas as drogas têm efeitos semelhantes na redução dos reflexos do usuário. Juntando esse ''coquetel'' com os veículos - ''as máquinas são brutas e nosso corpo é frágil'', dizia Tom Jobim - temos o desenho da tragédia.
O tabaco nós sabemos o mal que causa. Mas o álcool é o maior vilão entre as drogas sancionadas pela sociedade, pela mídia e a máquina de propaganda. Os adolescentes e jovens são presas fáceis da máquina de propaganda. O consumo das drogas chamadas lícitas é muito grande, apesar das campanhas de esclarecimento. A saúde das adolescentes é ainda mais prejudicada. E o consumo entre elas só faz crescer.
Contra esse estado de coisa, a universidade deve lutar, principalmente no trabalho de prevenção e conscientização. A universidade brasileira está ampliando a luta contra o vício. Em São Paulo, a USP, a Unesp e a Unicamp, numa parceria inédita, lançaram em setembro uma ampla campanha com o objetivo de combater o uso de álcool e drogas, que prevê a conscientização de seus alunos, funcionários e professores sobre o problema.
O caminho é esse mesmo: a moderação no consumo de cerveja, por exemplo, pode permitir que esse prazer se estenda à vida toda. Mas o exagero pode levar muitos a ''queimar seus navios'' antes do tempo. Por isso, o melhor mesmo é não vacilar e buscar o prazer com moderação.
MARCOS CESAR GOUVEA é jornalista e assessor de relações universitárias na Universidade Estadual de Londrina

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