Mais uma vez a grande mídia bateu em uma das tecnologias que possibilitaram a agricultura brasileira tornar-se umas das mais produtivas e competitivas mundialmente. Uma série de reportagens sobre agrotóxicos na televisão focou apenas a visão dos naturalistas e distorceu totalmente a imagem dos agrotóxicos perante a sociedade. A maioria da população, leiga no assunto, acredita cegamente nessas informações. Em momento nenhum na série sequer foi citado o lado positivo e benéfico desses produtos que, se utilizados corretamente, não causam problema algum.
Outra informação passada erroneamente e de forma irresponsável, foi citar que o Brasil utiliza produtos banidos em outros países, principalmente da Europa, passando a impressão que são produtos mais tóxicos e perigosos. Isso acontece porque nossa agricultura e clima são diferenciados. Temos clima tropical, uma dimensão continental, onde em algumas regiões colhem-se três safras anuais, larga escala de produção. Diferentemente do sistema europeu, onde a agricultura é realizada por famílias em pequenas propriedades, subsidiada pelo governo e com clima completamente diferente do nosso, sem falar do mais importante: o interesse de empresas multinacionais que detêm as patentes dos agrotóxicos por determinado período. Quando as patentes caem em domínio público, outras empresas do segmento entram no mercado diminuindo custos ao produtor e, consequentemente, os lucros das multinacionais. Ao perder o interesse naquele determinado produto, as multi desenvolvem um novo ativo, protegido pela lei patentária, não necessariamente menos tóxico e perigoso, mas com certeza, mais lucrativo para a ela.
Precisamos parar com essa história de criticar os agrotóxicos. Basta pensar que dos anos 70 para cá a população mundial praticamente dobrou e as terras agricultáveis não. Nesse contexto, o Brasil passou de importador de alimentos para um dos maiores exportadores mundiais, utilizando menos de 10% de seu território. O agricultor brasileiro passou a produzir três vezes mais arroz, milho e trigo no mesmo hectare de terra, e duas vezes mais soja e feijão. Os preços dos alimentos diminuíram, o agronegócio é responsável pelo superavit na balança comercial, por 25% de nosso PIB e gera 1 em cada 3 empregos em nosso país.
O sistema de cultivo orgânico, tão elogiado e vangloriado pela série televisiva, com certeza tem seus benefícios. No entanto, funcionaria se praticássemos a agricultura de subsistência, onde cada cidadão abandonaria seu emprego e começasse a cultivar seu próprio alimento no fundo de casa. Dessa forma, a agricultura orgânica seria eficiente. Porém, nos moldes de uma economia global, de uma população que cresce a cada dia, este se torna um modelo pífio e impraticável.
Hoje, a população mundial gira em torno de 7 bilhões de habitantes, com estimativas de em 2050 seja superada a casa dos 9 bilhões de habitantes. Quem será que irá alimentar esse contingente? A resposta é uma só: o modelo de agricultura atual, moderno e dinâmico, com o advento de novas tecnologias em sementes, maquinários, sistemas de produção e agrotóxicos.

GUILHERME ACQUAROLE é engenheiro agrônomo formado em Londrina

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