Do imaginário de homens e mulheres se originaram incontáveis histórias sobre os afrodisíacos, tamanho é o fetiche representado por plantas, raízes e preparados mirabolantes que, ao serem ingeridos, ''magicamente'' aumentam o desejo e a potência sexual do homem. Por isso mesmo, esse tipo de preocupação sempre esteve estritamente vinculado ao universo masculino - até porque a auto-estima feminina nunca repousou na capacidade da mulher de se auto afirmar através do comportamento sexual.

Apesar disso, o termo ''afrodisíaco'' deriva do nome de uma divindade grega feminina, considerada a deusa da beleza, do amor e da fertilidade: Afrodite. Na verdade, a primeira referência sobre o poder de sedução dos alimentos ocorreu na Bíblia, na passagem em que Adão é induzido ao pecado ao morder a maçã oferecida por Eva sob a influência da serpente.

E parece que os descendentes de Adão mantiveram a tradição de experimentar o fruto proibido, pois, entre os adeptos da versão moderna dos afrodisíacos, os homens são maioria absoluta. É muito comum o desejo de procurar ingerir ginseng, amendoim, pó de cantárida, chifre de rinoceronte, ovo de codorna, temperos exóticos, além de extratos de plantas como a catuaba, a mais comum aqui no Brasil.

Na maioria das vezes, o homem está preocupado em usar alguma substância que possa melhorar a sua potência e consequentemente estimular o desejo sexual da mulher. Entretanto, não existe nenhuma prova concreta e científica de que os afrodisíacos produzam efeitos capazes de melhorar ou resolver problemas de desejo sexual e ereção.

Na verdade, antes do surgimento do Viagra era muito mais comum o uso dessas plantas ou raízes para a ''cura da impotência''. Mas na realidade elas não resolvem as inseguranças sexuais. Em vez disso, causam um clima de sugestão que resiste apenas por algum tempo. É o chamado efeito placebo.

Até recentemente a medicina só havia encontrado uma substância capaz de aumentar o desejo: a testosterona, o hormônio masculino que tem de ser administrado com acompanhamento médico devido aos efeitos colaterais masculinizantes. Atualmente, com o uso do Viagra, a popular ''impotência'' tem sido resolvida com o uso deste medicamento. Nos casos de fundo psicológico os resultados são excelentes e nos de origem orgânica são de 50 a 60%.

Por outro lado, como em sexo a fantasia predomina sobre a realidade, não existe nenhum mal em usar um afrodisíaco como estimulante da criatividade para aumentar o clima sensual e erótico. Afinal de contas é sempre bom apimentar a intimidade.

Quando você tiver algum problema sexual, o melhor caminho é tentar conversar com sua parceira. Caso o problema persista, procure um urologista ou um terapeuta sexual.

De qualquer forma vale lembrar que o amor é o único afrodisíaco que você não vai encontrar em farmácias ou feiras-livres, mas sem dúvida constitui-se no mais poderoso estimulante da sexualidade.

MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo

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