ESPAÇO ABERTO - Afinal, quem manda no Brasil?
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de julho de 2003
Gilberto Jordão 
O ''novo governo'' está cumprindo a velha sina. Ele não pretende deixar que nada passe em branco. Nem mesmo as lembranças que tornaram amarga a passagem do governo FHC. Ele está fazendo o possível e o impossível para aprovar as novas medidas, doa a quem doer. Já vimos esse filme antes, lembram-se?
O ''novo governo'' caiu em uma armadilha, a farsa das privatizações. Mas esse governo precisa responder a esses solapadores da nossa pátria, impondo e dizendo a que veio, pois foi eleito para isso. Há a necessidade de se fazer algo a qualquer custo. Não pode deixar pedra sobre pedra. Deve dar o exemplo que sempre prometera. É impossível dar aumento de 1% aos trabalhadores brasileiros e o monopólio das comunicações ter um aumento, por si só, de 41,75%. É um roubo às vistas desse governo, que veio para colocar ordem na casa.
Mas, não devemos desanimar porque existe um ser superior que está ao nosso lado e nos mostrará que nem a chuva, nem a geada, nem o maremoto, nem o político corrupto que faz parte do Congresso, nem os que fazem parte do executivo haverão de impedir que o nosso País se torne o lugar almejado e maravilhoso que todos os brasileiros necessitamos.
Essa nação faz parte, contudo, daqueles que se sentem orgulhosos de ser brasileiros, apesar das medidas tomadas pelos políticos que a comanda.
Mesmo sendo uma nação onde 83 milhões de pessoas recebem, no máximo, 1 salário mínimo de R$ 240,00.
Mesmo sabendo que pessoas passam noites e dias em filas com até 30 mil pessoas, à procura de uma colocação digna, porém incerta, passando por necessidades fisiológicas diversas, somos orgulhosos de ser brasileiros.
Bem poderia o nosso representante máximo fazer afirmações do tipo: não tem chuva, não tem geada, não tem terremoto. Só Deus será capaz de nos impedir de combater a corrupção, a bandidagem, as extorsões que o próprio sistema governamental impõe à nação , a falta de emprego e a fome, pois tenho ao meu lado o Congresso, o Poder Judiciário e o povo que me elegeu.
Mas, infelizmente, o que vemos são os vizinhos e parentes do governo, rejeitados pelas urnas, serem convidados a se hospedarem nos ministérios e em todos os cômodos do Palácio do Planalto.
Mesmo sabendo que há um ex-presidente presidindo o Congresso Nacional, José Sarney, que usa a sua posição para arquivar investigações sobre políticos conhecidos (Banestado), temos orgulho de nossa pátria.
Cabe ao povo a última palavra. Ele fará prevalecer a essência ética da lei, tão pisoteada nesses últimos anos de democracia, desconhecida por milhões de cidadãos mais jovens.
GILBERTO JORDÃO é professor universitário em Maringá


