ESPAÇO ABERTO - Absurdos em época de campanha
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sexta-feira, 01 de outubro de 2004
Romão Antonio Martini Martins 
Eleições, embora aconteçam de tempo em tempo, não deixam de ser um tempo inusitado. Em clima de campanha, a maioria dos candidatos não mede esforços, sacrifícios e nem meios para assegurar um privilegiado e rentável emprego junto ao poder público. Resultado: gastos exorbitantes, poluição sonora e visual, muita sujeira pelas cidades e difamações recíprocas; prometem muito do que não serão capazes de cumprir e pouco do que seria a sua obrigação primeira.
Que o artifício da malandragem, do populismo e da demagogia continua sendo usado e abusado por boa parte dos candidatos, isso não é novidade para ninguém; não passam de aproveitadores da boa-fé da população para realizar projetos pessoais ou corporativos, sem dar a mínima para o fomento do bem comum. Até aí é a história que se repete em época de eleições, o que é profundamente lamentável.
Porém, o que causa indignação é ver e ouvir pessoas de bem, muitas delas cristãs, sérias, trabalhadoras e de bons costumes, justificar seu voto em gente que reconhecem ser malandra, com a seguinte afirmação: ''Rouba mas faz!'' É para roubar que os políticos são eleitos? Um absurdo! Nenhum empresário quer para si um funcionário que rouba, por mais que ele trabalhe. Quem faz esta afirmação deveria contratar trabalhadores ladrões para executar serviços na sua própria casa e cuidar dos seus bens. Tal afirmação é a negação da decência e de todos os bons princípios que regem a ética, a moral e fundamentam a honestidade. Quem defende um político dizendo ''rouba mas faz'', se for cristão, deveria renegar sua fé em Jesus Cristo, queimar sua Bíblia e passar a ser devoto de Judas Iscariotes, o traidor.
Algo também notável e bastante acentuado nas falácias de campanha é a utilização do nome de Deus, chegando a se constituir uma banalização vergonhosa. ''Pobre'' Deus, como usam o seu nome em vão! O sanguinário Bush também utiliza Deus para dar graças ao ''sucesso'' da guerra contra o Iraque; terroristas, no Oriente Médio, assassinam e destroem em nome de Alah! No Brasil, mais por questões de oportunismo do que de princípios, mais por razões de fachada do que de fé, políticos continuamente falam em nome de Deus, muitas vezes para construírem uma imagem da qual não são dignos! Um verdadeira farsa!
Antes de bons mandatários do poder público, o país precisa de bons eleitores, homens e mulheres de boa vontade, gente que não se vende nem se deixa enganar com conversa fiada. Precisa de cidadãos que votem com critérios e sabedoria em candidatos sérios e decentes. Somente o exercício convicto da cidadania, que vai da votação à vigilância constante, poderá moralizar a tão criticada ação política brasileira e seus protagonistas.
ROMÃO ANTÔNIO MARTINI MARTINS é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Paz em Londrina


