O mundo nunca mais vai esquecer o Setembro Vermelho, em 2001, quando as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, foram alvo dos ataques terroristas que mancharam os Estados Unidos de sangue. No mês passado, o ataque às estações do metrô de Madrid manchou a Espanha de sangue, deixando o mundo, mais uma vez, perplexo, atônito e incapaz. Agora, o Brasil, país até hoje imune às ações terroristas internacionais, vive a ameaça de um abril vermelho, sob o comando de João Pedro Stédile, líder do Movimento dos Sem-Terra.

Depois de ameaçar ''infernizar'' o país com invasões no campo, Stédile retratou-se cinicamente, como se duvidando da capacidade intelectual dos brasileiros. O fato é que ele prometeu marcar de vermelho o mês de abril. O que isso significa? Nosso país será pintado de vermelho pelas bandeiras do MST ou pelo sangue de homens e animais nos campos? Qual a legitimidade que este movimento tem para ameaçar o povo, amedrontar os empresários rurais, destruir as propriedades privadas, matar os animais e desprezar as instituições legalmente constituídas para comandar a questão agrária no país?

Ao contrário de reagir às investidas do MST, o país recompensa o movimento com mais verbas públicas, como se fosse refém desse terrorismo tupiniquim. O governo federal já havia prometido R$ 1,4 bilhão para os assentamentos. Depois da ameaça de Stédile, prometeu mais R$ 300 milhões. Acuado à chantagem do MST, o governo Lula cedeu mais uma vez, revelando não ter pulso firme para lidar com situações como essa. O fato é que temos, hoje, um Bin Laden tropical, que mantém um exército de guerrilheiros às custas do dinheiro do contribuinte brasileiro.

De onde virá o dinheiro prometido a mais ao MST, uma vez que o governo vem cortando sistematicamente investimentos em setores estratégicos e sociais? E o que o MST fará com esse dinheiro? Reforçará suas bases doutrinárias de ideologia comunista, incitando a luta de classes e pregando abertamente a guerra armada, por meio das invasões?

O governo deveria usar da mesma rapidez e eficiência para tirar o programa Fome Zero do papel, para cumprir as ordens de reintegração de posse, para livrar a economia dos juros altos e da recessão, para enxugar a máquina administrativa, para aprovar as reformas necessárias e para esclarecer o escândalo do sr. Waldomiro Diniz, permitindo a realização da CPI dos Bingos? São essas as respostas que o Brasil espera do governo Lula.

Não sou contra a reforma agrária e os assentamentos! O problema é que não teremos paz no campo enquanto o governo cuidar dessa questão sob a pressão de ameaças e chantagens. O MST diz que manterá o mesmo ritmo de invasões em todo o país. Na realidade, o que o movimento parece buscar não é a reforma agrária, mas tomada do poder por meio de um golpe, com a aparente conivência do governo.

Se o país permitir isso, estará abrindo brechas institucionais para que todos os demais movimentos sociais sigam a cartilha do terrorismo para alcançar seus objetivos. Imaginem onde podemos parar? Ações radicais, sob o argumento da pobreza e da desigualdade social não são argumentos para violar as leis e desrespeitar a ordem pública. Quem age assim é bandido.

O Brasil está cansado da retórica e da falta de ação do governo! O presidente Lula e seus ministros precisam agir com pró-atividade, tomando decisões corajosas e transmitindo firmeza à população. O milagre do crescimento brasileiro é como rabo de cavalo, só cresce para baixo, pois em um ano de nova gestão só vimos queda do poder aquisitivo e do PIB do país. Isso é fruto de falta de governabilidade e de um plano consistente que dê rumo à economia.

CLÁUDIO SLAVIERO é empresário em Curitiba e vice-presidente da Associação Comercial do Paraná

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