ESPAÇO ABERTO - A violência no trânsito
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 04 de fevereiro de 2005
Marcelo Pagnan Escudero 
Nos últimos dias, veicularam neste meio de comunicação, inúmeras reclamações de cidadãos londrinenses inconformados com a postura dos agentes da CMTU que vêm extrapolando suas atribuições na fiscalização do trânsito de Londrina. As queixas são de que os tais agentes não orientam o trânsito, como lhes competem, de que as multas impostas são indevidas, de que os critérios adotados pelas câmaras julgadoras na apreciação das defesas prévias são absurdos e de que não são divulgados os dados alusivos aos recursos arrecadados no trânsito. Enfim, há uma insatisfação generalizada.
O Conselho de Trânsito de Londrina (CTL) sensível a tudo isto já está tomando providências para solucionar esta situação, ou, quando não, atenuá-las. Atualmente está em estudo pela atual diretoria do CTL a proposta consistente na criação de agentes comunitários de trânsito, que trabalharão em conjunto com os agentes de trânsito. O objetivo é ampliar a fiscalização no Município, priorizando a orientação de motoristas e pedestres, pois, não se quer apenas punir os condutores infratores, mas, sobretudo, educá-los na busca de um trânsito mais seguro. Sabe-se que o número maior de acidentes hoje decorre justamente da falta de educação no trânsito. Há uma supervalorização da máquina com a seguinte resposta comportamental: quanto melhor o veículo, mais direitos o condutor tem e, conseqüentemente, menos deveres. Os valores se invertem: o veículo como instrumento de força, vaidade e competição.
Um dos fatores que também intensificam os problemas no trânsito é a falta de controle emocional do indivíduo, muito mais aparente nos dias de hoje, tendo em vista a competitividade canibal e globalizada que se apresenta para todos nós.
O descaso às normas e regulamentos parece mais intensa quando se trata dos relacionamentos no trânsito: a legislação de trânsito foi feita para os outros, não para mim!
Poderíamos enumerar várias atitudes negativas que fazem presentes no dia-a-dia do trânsito, como por exemplo: a falta de domínio aos impulsos indesejáveis como dizer palavrões, fazer gestos obscenos, se achar o dono da rua, tentar dar sempre um jeitinho para fugir das leis de trânsito, o motorista tentando recuperar o tempo perdido, apressando ou perturbando os outros condutores.
O Conselho de Trânsito de Londrina, ciente de tudo isto, vem promovendo uma série de estudos e também pesquisas de campo voltados para a solução destes problemas. Esperamos em breve solucionar todas estas questões. Mas enquanto isto não acontece, faz-se necessário aumentar a vigilância no trânsito, para que se impeça o crescente número de acidentes, muitos dos quais com vítimas fatais.
MARCELO PAGNAN ESCUDERO é presidente do Conselho de Trânsito de Londrina


