Dia desses dona Evanira, atendendo pedido do neto Artur, tirou do armário a velha bandeira alviceleste que ela confeccionara para seus então jovens filhos em 1978. Lembra, presidente Garcia? Foi o melhor momento do Londrina Esporte Clube na divisão principal do futebol brasileiro. Você estava em campo. Eu e o Djalma, meu irmão, estávamos na arquibancada, embriagados pelo futebol apresentado pelo Tubarão e, vá lá, algumas cervejas. Minto. Muitas cervejas.
Se não me falha a memória e ela costuma falhar, a fase boa do Londrina durou três, quatro anos, quando ganhamos o Campeonato Paranaense de 1981. Você estava de novo em campo. Eu e o Djalma estávamos, de novo, na arquibancada. Vibrando com o Tubarão.
Depois, quando o Élber foi vendido ao Milan, da Itália, por US$ 1 milhão, os cartolas ávidos pela acumulação de capital perceberam que o futebol é um grande negócio. Foi aí, a meu juízo, que a maionese alviceleste desandou.
A escolinha do Tubarão continuou formando craques e vendendo-os. Muitos ainda brilham por aí. O Alemão, por exemplo, disputou a final do Campeonato Paulista deste ano. Só que ninguém sabe, ninguém viu onde foi parar o dinheiro com a venda dos jovens valores.
No entanto, todos os ex-presidentes do Tubarão andam por aí exibindo seus carrões importados, seus figurinos de gosto pra lá de duvidoso e brandindo balanços e balancetes que os eximem da responsabilidade da impagável dívida que assombra o Londrina. Não por acaso, inúmeros programas esportivos de rádio e televisão, de qualidade sofrível, são patrocinados por empresas ligadas a pessoas que (pasmem!) posam de beneméritos alvicelestes.
Por isso, caro presidente Garcia, sou obrigado a concordar com você. Tem muita gente olhando a própria conta bancária e se lixando com as dificuldades do Londrina. Mesmo assim, ouso lhe pedir que não jogue o boné. Sei que é difícil alterar um sistema viciado. Sei que é quase impossível tomar o osso da boca de um cachorro. Mas, creia, eu e o Djalma, agora com o reforço do Jeferson, de 11 anos, apaixonado torcedor do Tubarão, continuaremos prestigiando o Londrina. Estaremos do seu lado. Não é muito, sei. Mas é de coração alviceleste , como o seu.
MÁRIO FRAGOSO é jornalista em Londrina

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