ESPAÇO ABERTO - A UEM e a saúde de Maringá
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de setembro de 2003
Angelo Priori 
Com a inauguração da nova ala do Hospital Universitário, a Universidade Estadual de Maringá (UEM) coloca à disposição de Maringá e do Paraná um moderno complexo de atendimento à saúde da população. Hoje, o Hospital Universitário é a única referência de Maringá e região no atendimento aos pacientes SUS. No ano de 2002, o HU atendeu mais de 100 mil pessoas, realizou 150 mil exames de laboratório, 6 mil internamentos, 2.134 cirurgias e 800 partos, sendo 350 de alta complexidade. Foram atendidos pacientes de 47 municípios do Estado do Paraná.
A partir de agora serão mais dez leitos de UTIs, sendo seis deles para atendimento pediátrico, 16 leitos de internamento e um pronto-socorro 24 horas. Além disso, o HU estará implantando em breve o serviço de tomografia computadorizada. Com isso, aumenta a capacidade de atendimento à população, criam-se novas condições de trabalho para médicos, enfermeiros, auxiliares e outros profissionais da saúde, além de proporcionar melhores condições de estudo e aprendizagem para os nossos alunos do curso de medicina.
O HU representa um patrimônio fundamental para o desenvolvimento da medicina, não só no atendimento básico, mas também no ensino e na pesquisa. E por isso precisa ser preservado, respeitado e defendido.
Atualmente os hospitais universitários de todo o país passam por uma crise financeira, sobretudo devido à existência de tetos que limitam o pagamento do SUS, independentemente do número de atendimento e dos procedimentos realizados. Para se ter uma idéia, em julho de 2003, a dívida do SUS com o Hospital Universitário da UEM era de um milhão de reais. Neste momento, está em torno de 600 mil reais.
O teto é um mecanismo perverso, que precisa ser rapidamente equacionado pelas autoridades municipais, estaduais e federal da área de saúde. Afinal, os hospitais universitários são praticamente a única alternativa da população carente para o acesso aos serviços de alta complexidade, como tratamento para o câncer, cirurgias cardíacas, transplantes etc, e em muitos casos, a única alternativa no atendimento primário.
O fim do mecanismo perverso do teto e a criação de fontes exclusivas de financiamento para os hospitais universitários (louve-se aqui o trabalho da Secretaria de Estado da Saúde, que irá repassar a partir de setembro, 100 mil reais/mês para os HUs de Maringá, Londrina e Cascavel) seriam um passo importante para a humanização e resolução do atendimento médico à nossa população. Além, evidentemente, de preservar o patrimônio da educação e da ciência médica.
Ao colocar a nova ala do HU em funcionamento, a UEM dá um passo importante no cumprimento da sua função social. Por isso desejamos, boa saúde Maringá! Boa Saúde Paraná!
ANGELO PRIORI é doutor em História e vice-reitor da Universidade Estadual de Maringá


