ESPAÇO ABERTO - A tristeza do Natal
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sexta-feira, 24 de dezembro de 2004
Rev. Gerson Araujo 
Época de muita festa, bebidas e presentes. Para muitos, só isso. Um pouco de alegria, sem dúvida. Mas para uma multidão é momento de muita tristeza. Depressão profunda, alguns se suicidam. A razão principal é a frustração de adultos e crianças que não podem adquirir o que é maciçamente apresentado pelo meios de comunicação.
É duro para uma criança não ganhar presentes pois ela aprende que ''seja rico ou seja pobre o velhinho sempre vem''. Como não comer uma comida especial se todos garantem que natal é para isto? A realidade é outra e daí a depressão.
Ninguém lhes ensinou que a alegria do natal acontece porque uma criança nasceu. Alegria é coisa de criança, diriam. Acontece que a coisa mais séria que Deus fez foi se tornar criança, e garantiu que não veríamos o reino se não nos tornássemos numa delas.
Pedro, sentindo esta realidade afirmou: ''Desejai ardentemente, como recém-nascidos, o leite espiritual genuíno, para que, por ele vos seja dado o crescimento para a salvação''. É a figura do bebê a espera do seio. Desejo ardente, algo necessário. Para a criança, o colo da mãe, para o homem, o colo de Deus.
Para estes que sofrem, o natal poderá se tornar uma época de alegria, se atentarem para o que diz Rubem Alves, traduzindo, de forma bem poética a realidade do primeiro natal: ''No silêncio da noite a criancinha chora. Está com fome, diz a mãe. E ela toma o seu seio e oferece àquele corpinho que nada conhece do mundo, a não ser a fome. A boca suga o sangue branco, leite... Vida para quem tem fome, dádiva de um corpo para outro.
Deus faminto. Faminto de homens e mulheres de carne e osso. Que nós tenhamos fome de Deus é compreensível, mas que Deus tenha fome de nós, que se o seio não for oferecido ao nenezinho, este morre, é idéia que nos faz tremer. Somos a comida para o corpo de Deus''.
O natal, assim encarado, passa a ser época de doação e não de recebimento. E quem se doa, pensando nas necessidades dos outros, sente o quanto pode ser útil para o Reino de Deus e, sentindo-se útil, goza de uma graça especial que só traz alegria, mesmo que o seu natal não seja de tantas comidas e presentes. ''Em verdade vos afirmo, que sempre que fizestes a um destes meus pequeninos, a mim o fizestes'', disse Jesus. (Mat. 25:40)
Rev. Gerson Araujo é pastor da IPI do Jardim do Sol e capelão do Hospital Evangélico


