ESPAÇO ABERTO - A sociedade e o idoso
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de junho de 2004
Eliana de Oliveira Trindade 
O Estatuto do Idoso vem consolidar os direitos fundamentais conquistados na Constituição. Buscou-se a realização de políticas sociais, culturais e econômicas e o acesso igualitário aos serviços para proteção, auxílio e desenvolvimento aos idosos no país. A lei 10.741/03 complementou legislação e a política nacional já existentes com objetivo de assegurar os direitos sociais e criar condições parar promover a inserção do idoso na sociedade.
Os idosos aumentam a cada ano e, a exemplo de outros países, têm se defrontado com as questões do envelhecimento, dos cuidados e a responsabilidade das famílias e da sociedade passam a ser novos desafios. Assegurar seus direitos como cidadãos, sabendo que junto com esses valiosos idosos encontramos a sabedoria e cultura de gerações passadas, pessoas que passaram toda a vida trabalhando e se dedicando à família.
É importante ter leis de amparo social ao idoso, mas o mais importante é a conscientização da sociedade para que a lei possa sair do papel e passar para a vida real, para o dia-a-dia do idoso. Comunidades e associações devem cobrar das autoridades a aplicação da lei, denunciar arbitrariedades cometidas para que a lei seja respeitada e não fique apenas num pedaço de papel, guardada numa gaveta ou numa estante de códigos e normas qualquer. A sociedade e o Estado têm o dever de aplicá-las, respeitá-las, pois esses ''velhos'' e ''coroas'' é que construíram nosso país. O que somos, somos graças a eles, pois sempre nos deram amor, educação, cultura, mostrando o que é moral, ética e respeito ao próximo.
Ao darmos tudo aos nossos filhos, os mimamos tanto que às vezes esquecemos de ensiná-los a respeitar e amar os idosos, a se preocupar com um velhinho catador de papel que passa na rua debaixo de chuva sem nenhum agasalho ou nunca levá-los a um asilo para conhecer a realidade e ver que todos podem fazer algo pelos idosos que estão abandonados pela família e pela própria sociedade, precisando muitas vezes não de dinheiro, mas de calor humano, atenção e amor.
A sociedade do século XXI, escolas, igrejas, comunidade e todos os meios de comunicação devem conscientizar a todos que o idoso além de ser um cidadão, um ser humano com direitos e deveres, é uma ''enciclopédia do saber'', pois a vida ensina o que não se aprende nas escolas, faculdades, etc. Desta maneira as crianças devem ser trabalhadas desde a pré-escola para respeitar o idoso, e somente com educação integral poderemos garantir a perpetuidade e efetividade do Estado Democrático de Direito.
Em países desenvolvidos, como o Japão, pessoas idosas são respeitadas e quase idolatradas pois possuem o saber que só a vida lhes proporcionou, sendo sua opinião sempre importante, o que demonstra o grau de desenvolvimento educacional de um povo.
ELIANA DE OLIVEIRA TRINDADE é estudante de Direito em Rolândia


