ESPAÇO ABERTO - A sedução tem regras?
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de janeiro de 2005
Moacir Costa 
A necessidade de sexo é uma força tão poderosa dentro do ser humano quanto a de respirar e de comer. A diferença é que, no caso do sexo, não é nada fácil encontrar satisfação. É preciso envolver-se num jogo extremamente complicado, que se inicia com a escolha de um parceiro e prossegue cheio de rituais. É aí que a arte da sedução entra em campo. Seu objetivo final: fazer sexo com o parceiro escolhido.
Mas o lance final só terá sucesso conforme a sucessão dos movimentos intermediários: como escolher o parceiro disponível, atrair-lhe o interesse, manter o clima de sedução, sugerir-lhe a idéia de intimidade, por último e mais importante para o sedutor em potencial despertar-lhe o desejo de fazer amor.
As maneiras de atrair um parceiro sexual têm muito a dizer sobre as pessoas. Para uns, a fase mais excitante da sedução é a caça e não a conquista: preferem prolongar ao máximo o desejo enquanto fazem o cerco ao amante. Estas pessoas tendem a se mostrar muito autoconfiantes, aumentando as chances de êxito, apesar de que alguns passam a vida inteira apenas caçando.
Já as pessoas que se consideram pouco atraentes encontram dificuldades maiores. O que em geral acontece é que cada pessoa costuma usar uma tabela secreta para medir a intensidade dos atrativos sexuais, e vai atribuindo uma pontuação de acordo com esta tabela tanto para si mesmas como para os parceiros em potencial. Inconscientemente, a maioria procura parceiros de pontuação idêntica à sua: ele gosta, eu gosto. Os relacionamentos baseados neste tipo de combinação tendem a ser mais bem-sucedidos com maiores chances de estabilidade.
Mas como saber se o objeto do desejo está interessado e disponível? O primeiro passo para descobrir é ficar atento aos sinais, bastante instrutivos, que provêm de uma cuidadosa leitura da linguagem corporal: as mensagens inconscientes ou não-verbais do seres humanos (olhar, sorriso gesto).
Uma leitura mais sutil dos sinais, como os gestos durante a conversa, ou o tom de voz na exposição dos sentimentos, oferece de forma quase instantânea uma avaliação sobre a disponibilidade do outro para um encontro. Mas se esta disponibilidade estende-se ao terreno da sedução, trata-se de um julgamento bem mais complexo. Em primeiro lugar, é preciso admitir que qualquer uma das partes pode mudar abruptamente de idéia: ele me entediou assim que abriu a boca...(fala muita bobagem e os dentes necessitam de cuidados). Ou uma mudança positiva, ao encontrar o assunto certo no meio de uma conversa: quando ela confessou ser uma aficionada por música e dança, adorei!. Afinal, experiências e opiniões em comum são um ótimo estímulo para estreitar o relacionamento. O flerte, por exemplo, vai ajudar a manter o interesse e a vibração do parceiro, além de deixar claro que se está disponível e, portanto, que se deseja uma aproximação mais efetiva.
Uma tática muito testada ao longo do tempo para manter o outro sob a mira do desejo é uma certa dose de indisponibilidade. Mostrar-se demasiado disponível, sempre à mercê dos desejos do parceiro, pode resultar tão ineficaz quanto parecer que está rejeitando qualquer aproximação maior.
À medida que a aproximação evolui, o radar deve continuar antenado aos sinais de rejeição ou de aceitação. A sedução é um jogo que envolve duas pessoas e não possui regras fixas. Um fator reconfortante para o futuro sedutor é que a maioria das pessoas gosta de envolvimento erótico e sexo.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo


