ESPAÇO ABERTO - A Sabedoria Divina
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de janeiro de 2005
José Ruivo da Silva 
Não sou filósofo nem pretendo imiscuir-me nos infindáveis debates a que algumas mentes gostam de se entregar para no fim permanecerem irredutíveis nos seus conceitos pessoais. Descartes dizia: ''Cogito, ergo sum'' (Penso, logo existo), pretendendo assim atribuir à existência de um pensamento pessoal a sua condição de homem, diferente de seres que não pensam.
Assim, desde que no ginásio um professor de matemática, versado em latim, história, filosofia, me ensinou a pensar, procurei sistematizar, ao longo destes 75 anos de vida, as idéias com os fatos. Ao meu conhecimento, se impôs a sabedoria como a primeira das qualidades de espírito, infusa em nós desde que fomos criados, e que mais não é do que a participação da Sabedoria Divina.
Em Deus esta Sabedoria é própria e absoluta. Em nós, dadas as nossas limitações, esta sabedoria é parcelada em cada homem; para se tornar completa quando virmos Deus face a face; quando o conhecermos como d'Ele somos conhecidos. A sabedoria nos dá a capacidade de conhecer os ''seres'', aquilo que existe em todos os domínios da existência.
Depois vem a inteligência, que é a capacidade de confrontar os elementos conhecidos entre si, e auxiliada pela memória, entre eles estabelecer relações de existência. Depois vem a razão, que penso ser menos que um dom absoluto, apenas nos dá a possibilidade de, informada pela sabedoria e pela memória, estabelecer regras de pensamento (princípios de identidade, princípios de causalidade e outros). A razão pode, além de estabelecer as normas do raciocínio, trabalhar com os silogismos e com os vários argumentos de que a própria razão necessita para se afirmar como uma parte do espírito humano, assim afirmando a sua identidade.
São Tomaz de Aquino (Séc. XIII) nos ensinou a pensar da seguinte forma: Hipótese. Argumentos contra. Argumentos a favor. Tese - Conclusão. Achada uma conclusão, justificada pelas etapas do pensamento, intervém agora um outro elemento de espírito, que se chama ''vontade livre' ou ''livre arbítrio'' pelo qual decidimos livremente ou abstermo-nos de atuar ou passar à ação. Este é então o ''juízo de valor''. E neste ponto se alicerça o princípio de ''responsabilidade pessoal'' que torna ou não meritórias as ações que fazemos.
Ainda em consequência da vontade livre temos o ''amor''; não o sexo com o qual habitualmente anda confundido. ''Amor' é o querer o ''bem'' do outro, ainda que esse bem exija sacrifícios. Entre todos os seres a quem podemos ou devemos querer o bem está Deus, a quem temos por dever, o não querer causar-lhe desgosto (o pecado) porque Ele nos amou primeiro, ainda antes mesmo de nos dar o ser. Deus, desde toda a eternidade, ama já infinitamente as suas criaturas, mesmo quando, no plano de sua sabedoria se encontram ainda na fase de ''vir a ser'', dentro de seu plano Criador e de Salvação. E Deus ama infinitamente mesmo os que o recusam, e que, afastando-se do seu amor, se perdem no inferno - o lugar do ódio para toda a eternidade.
Poderia Deus impedir os homens de se afastarem d'Ele? Certamente que sim, mas então teria de violentar o dom da vontade livre que é próprio a cada homem. E embora sofra, em Jesus Cristo, com a recusa dos homens, Deus não violenta ninguém, apenas pede em Jesus Cristo: ''Se alguém quer ser meu discípulo, tome a sua Cruz todos os dias, e siga-me. E aonde Eu estiver aí estarão aqueles que me quiseram seguir.''
JOSÉ RUIVO DA SILVA é médico aposentado em Londrina


