Uma nova geração de trens híbridos que funcionam por cabos elétricos aéreos ou a baterias internas de lítio, alternativamente, está em fase final de testes no exterior. Fora das cidades o trem utiliza cabos aéreos e quando se aproxima dos centros urbanos passa a funcionar com a fonte interna de energia. Um sistema que recupera parte da energia nas reduções de velocidade faz com que a autonomia da bateria seja de até dez quilômetros e a recarga possível de ser efetuada em cinco minutos, segundo os fabricantes. Com isso, os novos trens eliminam a necessidade de postes e fiações aéreas incômodas nas áreas centrais, o que resulta em maior versatilidade e diminuição de riscos em casos de acidente. Sendo modular, a nova proposta de transporte permite ajustar a composição de 30 até cem passageiros, conforme a demanda.
  Esse novo tipo de trem, hibrido, parece ser uma alternativa promissora para utilização como transporte de passageiros, de centro a centro das cidades, ao longo do leito ferroviário existente no Norte do Paraná.
  Historicamente, a ferrovia e a estrada mestre formavam o eixo principal de ocupação e desenvolvimento do empreendimento da Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP), a partir dos anos 30. Definiram o caráter do traçado das cidades e patrimônios bem como a distância entre elas.
  Tecnicamente, a distância entre as estações e paradas, de dez a 15 quilômetros, inicialmente previstas para o abastecimento de lenha e água das locomotivas a vapor, parece coincidir com a necessidade de recarga das baterias do novo trem. Tampouco seria necessária a implantação de cabos aéreos em toda a extensão da linha férrea.
  Assim, os trilhos e estações estão praticamente prontos para a implantação de trens híbridos de nova geração. Em algumas cidades o vazio do antigo leito ferroviário foi cuidadosamente preservado após a retirada dos trilhos, como é o caso do largo canteiro da Avenida Leste-Oeste em Londrina. Vislumbrava desde os anos 80 a implantação futura de um moderno transporte de massa. Outros bons exemplos da preservação de vazios podem ser observados também em Cornélio Procópio e Arapongas. As estações ferroviárias que hoje são cortiços ou aquelas em vias de transformação em pequenos museus poderiam retomar, simultaneamente, a função inicia6l de abrigo de passageiros. Os pátios ferroviários poderiam voltar a ser um importante espaço livre e simbólico, de uso comunitário, ao invés do simples parcelamento para construção de casas populares, como temos assistido em algumas cidades.
  Retomar o uso de antigas estações ferroviárias e trilhos permitirá a recuperação de partes da cidade em que o chamado desenvolvimento virou as costas durante longo período. Ainda hoje, a avenida da estação de várias cidades ao longo da ferrovia mantém edificações e estruturas da época do auge da economia local, aguardando a sua reabilitação. De quebra, podemos tentar valorizar, preservar e quem sabe recuperar as outroras magníficas paisagens vistas a partir da janela do trem em movimento.
  Imagino assim, o potencial de um transporte de massa: preservando a paisagem regional, recuperando antigas estações e edificações significativas, possibilitando a regeneração urbana a partir da avenida da estação e interligando as cidades projetadas pela Companhia de Terras Norte do Paraná. Um transporte de massa de vanguarda conceitual, tecnológica e funcional. Um trem bem vermelho.

HUMBERTO YAMAKI é professor da
pós-graduação na Universidade
Estadual de Londrina

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