ESPAÇO ABERTO - A reestruturação das universidades estaduais
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de outubro de 2003
Aldair Tarcísio Rizzi 
Logo que assumimos a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, adotamos várias ações no sentido de dar maior racionalidade às atividades acadêmicas e administrativas das instituições de ensino superior públicas, conforme as diretrizes contidas no plano de governo da gestão Roberto Requião.
Buscamos reassumir as responsabilidades do poder público e adotar políticas realistas condizentes com a nossa realidade. Definimos como meta principal, a consolidação e a busca da melhoria da qualidade das atividades de ensino, pesquisa e extensão.
Uma ação inadiável, dentro do propósito de dotar o ensino superior público de melhores condições de crescimento qualitativo, passava por repensar o formato dado à Universidade Estadual do Paraná - Unespar.
Com sede em Jacarezinho, a Unespar é composta por 12 faculdades, distribuídas do extremo Norte ao extremo Sul do Estado. Este arranjo universitário, além de não atender aos requisitos mínimos exigidos pela Lei (LDB), apresenta excessiva dispersão geográfica, identidade regional difusa e estrutura organizacional onerosa.
Conquanto o ensino superior se caracterize como fator da maior importância no desenvolvimento do pensamento, da ciência pura e de suas aplicações, podendo se constituir no diferencial para o alcance do progresso socioeconômico das populações, a agregação de faculdades em ente universitário, por si só, não representa crescimento ou ganho sob o ponto de vista da qualidade acadêmica e administrativa, nem se configura estruturalmente da melhor forma para atender e dar respostas aos mais elevados interesses das comunidades regionais.
A reestruturação que estamos propondo, integrando as doze faculdades às universidades estaduais de Londrina, Maringá e Ponta Grossa, além de objetivar a melhoria da qualidade do sistema, leva em conta aspectos que dizem respeito à qualificação, racionalidade, otimização dos recursos públicos, vocação regional, proximidade geográfica e laços acadêmicos já estabelecidos. Esta concepção responde ao justo anseio de crescimento qualitativo que as faculdades nutrem para si e para as suas regiões.
Nossa proposta oportuniza que as faculdades, interajam com a universidade à qual se integram, que se constituam em arranjos universitários coesos, eficientes e críticos. Assim, as faculdades integradas às universidades consolidadas poderão contribuir para uma intervenção mais direta junto às comunidades em que estão inseridas, promovendo o desenvolvimento regional.
A nova composição das universidades, tendo presente o compromisso com o bom uso dos recursos públicos, com certeza resultará em fortalecimento e ganho para o sistema de ensino superior como um todo. Neste projeto, não existem perdedores. Sairão ganhando estudantes, docentes, comunidades locais e sociedade paranaense.
ALDAIR TARCÍSIO RIZZI é secretário da Ciência Tecnologia e Ensino Superior do Paraná


