ESPAÇO ABERTO - À procura do pai amigo
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de agosto de 2004
Moacir Costa 
O pai sempre foi uma figura importante, em decorrência da imagem construída pela família, principalmente pela mulher. Essa imagem esteve, na maioria das vezes, num plano de maior destaque em virtude da manutenção, domínio e poder sobre a família.
No aspecto afetivo sempre foram facilmente identificáveis as dificuldades de manifestação dos sentimentos, desde o simples contato físico do abraço caloroso até a conversa mais íntima e descontraída.
Muitos pais se omitiram na educação dos filhos devido às intensas exigências profissionais associadas a esses bloqueios afetivos, ou ainda, em decorrência da tradicional postura autoritária, que os impediram de se confrontar com sentimentos e emoções. Os homens infelizmente perderam oportunidades de se soltarem emocionalmente e de compartilharem com os filhos seus ganhos, suas incertezas e inseguranças.
A casa e a educação dos filhos estiveram sempre sob a responsabilidade da mulher. Esse despreparo de muitos homens contribuiu para o surgimento de situações preocupantes relacionadas aos adolescentes, como a gravidez indesejada e o uso de drogas. A falta de apoio e de amizade agravam essas problemáticas.
A emancipação da mulher, nesses últimos 20 anos, tem contribuído de forma intensa e constante na mudança dessa postura rígida do homem. Felizmente é possível perceber resultados nos dias atuais, ao identificar um pai comprometido com a criança, mesmo antes do seu nascimento.
Nos Estados Unidos, esse homem é chamado de metrossexual, constituído em sua maioria por ''adultos jovens'', que desempenham com facilidade papéis até então considerados femininos: cuidar da criança, cozinhar, enfim, repartir com a mulher os cuidados domésticos. Alguns mais machistas vêem nesse comportamento traços indicativos de homossexualidade, o que na realidade é um julgamento tolo e preconceituoso.
Estamos enfrentando períodos de preocupações e angústias intermináveis diante dos problemas psicológicos dos filhos em virtude do uso de drogas e da violência, desencadeando depressões e contribuindo para a desagregação familiar. Passa a ser urgente que cada pai reavalie na sua intimidade qual tem sido o caminho utilizado para reduzir as distâncias na sua relação familiar. Somente assim será possível uma convivência mais agradável e confiante, onde a boa conversa e as trocas afetivas tenham sempre uma via de mão dupla.
Ao conseguir perceber a importância desses laços de confiança, você irá perceber que o seu destaque profissional e o conforto material adquirido com muito trabalho, tem algum significado se estiver associado a uma parceria e amizade sincera com os filhos. É através dessa convivência que você reduzirá as suas angústias e terá a certeza de ser mais admirado e valorizado, com melhora da sua auto-estima, e feliz por ser considerado um pai amigo.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo


