ESPAÇO ABERTO - A política e a religião
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de agosto de 2004
José Antônio Rodrigues da Costa 
Recapitulando a história: o inglês Thomas Hobbes ensina que a vida em sociedade, regida pelo Estado nasce de um acordo de paz firmado entre indivíduos maus e pecadores por natureza. Em sua frase mais conhecida, diz que ''o homem é lobo do homem''. Para evitar que a ''matilha'' se devorasse mutuamente, o poder foi atribuído a um ou mais representantes do povo (dependendo de cada caso). Aos representantes caberia estabelecer regras gerais de convívio e assegurar seu cumprimento, mesmo que fosse preciso usar a força o que seria exclusividade do Estado.
Na opinião de 55% dos brasileiros os políticos são as pessoas menos confiáveis, dados do Instituto Vox Populi obtidos em 2002. O resultado comprova a descrença que se percebe nos bate-papos informais, em que os políticos acabam sendo considerados todos ''farinha do mesmo saco''. Rápidos em prometer, mas tardios em cumprir a palavra dada.
Para o pensador alemão Max Weber, cuja mãe era uma fiel protestante, a vida cristã parece incompatível com a política. Quando faço referência ao termo ''vida cristã'' refiro-me àqueles que possuem uma comunhão diária com Cristo, independente da fé que cada um professa. ''Aquele que deseja a salvação da própria alma ou de almas alheias deve evitar os caminhos da política que por vocação, procura realizar tarefas muito diferentes, que não podem ser concretizadas sem violência'', escreveu Weber, mas continuou ainda ''o gênio ou o demônio da política vive em estado de tensão com o Deus do amor e também com o Deus dos cristãos''. Na opinião de Weber um dos pontos mais críticos daquele que acredita em Deus, ou seja, é um cristão e a política, é a postura exigida de ''cristãos e políticos nas ações diárias''.
Notadamente isso pode ser confirmado quando os nossos governantes aprovam leis, projetos, muitas vezes podem até nos prejudicar, mas o que está em jogo são apenas interesses próprios, tornando-se contrários aos anseios do povo, transgredindo o mandamento ''... quem ama a Deus, que ame também o seu irmão'', I S. João 4:21 - BLH (Bíblia na linguagem de hoje). Pois a ética da convicção, baseada nos ensinamentos do evangelho, seria incompatível com a ética da responsabilidade, indispensável à política.
''O cristão cumpre o seu dever e quanto aos resultados da ação confia em Deus.'' De maneira diferente, a ética da responsabilidade levaria em conta tão-somente os resultados sendo cada um o único responsável pela consequência dos seus atos. Diante disso, a convicção religiosa sem responsabilidade social reflete-se, na realidade, em atitudes inconsequentes ou posturas omissas. Por outro lado, a responsabilidade sem convicção perde-se no emaranhado das alternativas possíveis, quando não se transforma em uma busca sem princípios pela incessante manutenção de poder e domínio.
JOSÉ ANTÔNIO RODRIGUES DA COSTA é estudante de Física na Universidade Estadual de Maringá


