ESPAÇO ABERTO - A política do lixo incomoda muita gente!
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de dezembro de 2003
Daniel Steidle 
Ainda são poucas as notícias sobre a nova Política Estadual de Resíduos Sólidos lançada no dia 11 de novembro no Palácio Iguaçu. O que vai mudar de fato? Mudanças significativas em outras partes do mundo na questão do lixo ocorreram de ''baixo para cima''.
Foram minorias surpreendidas pela transferência do lixo urbano que resolveram bater o pé e dizer não à política de empurrar o lixo para debaixo do tapete. Com esta resposta toda a geração, disposição e tratamento do lixo teve que ser revista. No Brasil ainda são tímidas ou de pouca duração as iniciativas de minorias, acuadas pelo lixo, de baterem o pé. Ninguém apóia ''encrenqueiros'' e o setor público está acostumado a decidir sozinho.
Em Rolândia esta política resultou em menos de um ano, num depósito (aterro sanitário) com proporções de lixo assustadoras e inesperadas. Já dura seis anos o bater de pé de moradores próximos ao aterro.
Em Londrina essa história está se repetindo. Lá são mais pés batendo, de moradores que foram condenados a ter que conviver com o futuro aterro sanitário de Londrina. Até quando teremos que escutar das autoridades que ''toda cidade tem que ter seu cemitério, sua prisão...seu aterro sanitário e que ninguém quer morar perto, mas que alguém (alguns) tem que se sujeitar a isso''? O que se resolve com esta postura?
Se quisermos avançar na questão do lixo vamos dar a nossa força e juntos bater o pés com aqueles moradores de Londrina, possíveis futuros vizinhos de um aterro sanitário. Vamos descobrir quem são estas pessoas? Qual é a história delas? O que fazem? Como são suas casas, jardins, seus sonhos? Vamos chamar atenção e criar um cenário onde seja possível uma negociação.
Exemplos, como a compostagem dos resíduos orgânicos e uma coleta seletiva do lixo mais eficientes, existem em municípios brasileiros com muito menos recursos. Criar um cenário onde nossas universidades possam avançar e aplicar seus conhecimentos. Um cenário onde tecnologias do lixo podem ser testadas e questionadas. Onde a população ''leiga'' possa aprender e contribuir além do ato mecânico de jogar ''o lixo certo no lugar certo''. Onde um aterro sanitário possa funcionar e não ser mais motivo de briga.
DANIEL STEIDLE é agricultor e ambientalista em Rolândia


