ESPAÇO ABERTO - A peste aviária
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de março de 2004
Alexandre Valença 
A gripe das aves, ou influenza aviária, tem causado sérios prejuízos aos avicultores asiáticos. Ela poderá se tornar problema de saúde pública mundial, pois deverá matar milhares de pessoas em todo mundo, caso um dos subtipos do vírus tipo ''A'', causador daquela doença: o ''H5N1'', responsável pela morte de milhares de aves no Vietnã e na Tailândia (causando, também, doença e alguns casos de morte em pessoas que lidam frequentemente com aves doentes) recombine-se, trocando material genético com o subtipo''H3N2'', responsável pela gripe humana.
Aliás, tal agente foi isolado de gatos doentes por terem tido contato com galinhas: um forte indício de que o vírus já não mais está atacando seus hospedeiros habituais, começando a se adaptar a mamíferos, inclusive ao homem. Podendo vir a causar uma pandemia mundial de gripe. Como a de 1918 a 1919, uma das mais devastadoras praga da história da humanidade, pois levou a óbito 20 milhões de pessoas.
Para o controle desta peste, existe uma série de medidas prescritas pelo escritório internacional de epizootias, entre as quais, uma bastante eficiente: a recomendação de se sacrificar aves acometidas pelo mal, delimitando os focos de influenza aviária e estabelecendo num raio de 10 km, a partir deles, impedindo a entrada e saída de animais, produtos e utensílios dessas áreas, até a extinção da doença, temporariamente, nas regiões afetadas.
No Brasil, alguns laboratórios de entidades tais como o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, Fiocruz, no Rio de Janeiro e Evandro Chagas, em Belém, têm rastreado subtipos do vírus da influenza ''A'' de humanos; já que os outros dois tipos ''B'' e ''C'' não possuem importância epidemiológica. Isto se deve ao fato das autoridades da área de saúde estarem em alerta para não serem surpreendidas com um subtipo novo originado da grande capacidade de mutação ou recombinação destes, já referidos, micróbios.
Além disso, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento coleta, frequentemente, sangue de frangos das regiões brasileiras dedicadas à avicultura para pesquisa de anticorpos contra as variantes do vírus e também faz colheita de material de traquéia e cloaca para o isolamento deles.
Contudo, nunca se constatou a presença do vírus da influenza aviária de alta patogenicidade em território nacional. Aliás, as terras brasileiras não apresentam clima favorável à sobrevivência e propagação desta peste aviária. Todavia, nos meses de julho e agosto, das regiões Sul e Sudeste, teme-se o surgimento desta verdadeira praga, por causa do frio, o que causaria grande prejuízo a nossa economia, pois a exportação de carne de frango traz muitas divisas para o Brasil.
Finalmente, laboratórios produzirão vacinas para prevenir a doença em aves dentro de 3 meses, mas fato preocupante é o de que a vacina para humanos só estará pronta em 6 meses, segundo a Organização Mundial de Saúde.
ALEXANDRE CARNEIRO VALENÇA é médico veterinário do Serviço de Inspeção Federal do Ministério da Agricultura em Cafelândia


