Muitos já ouviram os nossos pais ou avós dizerem que o campo era o lugar mais tranquilo para se viver, para produzir, e até mesmo para fazer uma visita de cortesia. Isto mesmo, o campo era um ambiente tranquilo. Tempos bons aqueles, porque atualmente o que vemos é uma nuvem de insegurança pairar sobre as nossas cabeças.
Declarações que incitam o anarquismo e o ódio, e ações que se assemelham a atos terroristas são divulgados nos veículos de comunicação e mostram que a intranquilidade domina, neste momento, a zona rural. Isto é inaceitável. Como um setor da economia, responsável pela produção de mais de 115 milhões de toneladas de grãos e que responde por cerca de 37% dos empregos gerados no Brasil, pode ficar à mercê de determinados grupos ou atender aos interesses de facções políticas?
Sabemos que o agronegócio nacional tem enorme potencial para colocar o alimento na mesa do brasileiro - desde o mais faminto até o bem abastado -, e daqui a 12 anos pode se tornar o maior fornecedor do mercado agrícola mundial, como prevê a Organização das Nações Unidas (ONU). Mas é preciso que o verdadeiro produtor rural tenha sossego para fazer isso.
Como bem disse o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, ''o campo quer a reforma agrária para promover a justiça social e compensar os excluídos rurais, vítimas de erros passados, de décadas de descaso para com o setor. Mas é absolutamente imprescindível que esta reforma agrária seja feita dentro da legalidade, com o respeito à Constituição, ao direito de propriedade e à intocabilidade das terras produtivas''. Penso que qualquer ato que infrinja a Constituição Federal será uma grande afronta ao poder democrático.
É preciso que o governo federal dê um basta nestas situações que procuram desestabilizar a ordem nacional. Reintegrações de posses devem ser cumpridas, e as invasões de terras, de órgãos públicos ou privados são atos inadmissíveis. E representam uma afronta ao cidadão que respeita a ordem e cumpre com todas as suas obrigações sociais. Não podemos aceitar que invasões, como as praticadas no terreno da Volkswagen, em São Bernardo do Campo, e no prédio do antigo Hotel Terminus, na capital paulista, se tornem habituais e desafiem o poder público. Será que os líderes destes movimentos sociais querem apenas os ''holofotes'' da mídia? Ou, na verdade, têm o interesse de desestruturar a sociedade como um todo?
O homem do campo, com a real vocação para a atividade, quer e exige paz para trabalhar. Só assim teremos condições de continuar contribuindo para o superávit da balança comercial e gerar uma receita financeira que totaliza 27% do PIB brasileiro.
Outro ponto importante é que, além da distribuição de terras, precisamos fazer com que a educação e a assistência técnica cheguem de fato ao produtor rural e aos seus filhos. As autoridades federais, estaduais e municipais, não se atentaram ainda que, em breve, o mais importante setor da economia nacional vai necessitar de mão-de-obra especializada, bem informada e em abundância.
E que todos os agricultores do país devem ser contemplados com um sistema educacional eficiente e um programa de assistência técnica rural que propiciem o advento da tecnologia a todas as regiões do Brasil. Instituições como a Embrapa, a Emater, o Iapar, entre outras, precisam receber mais investimentos e modernas ferramentas de trabalho. Assim, vão colaborar para ajudar na difusão da pesquisa e no intercâmbio de informações com todo o setor agropecuário.
LUIZ MENEGHEL NETO é produtor rural e presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Limousin

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